Putin cada vez mais isolado: Críticas já chegam do círculo interno do presidente russo

Descontentamento relacionado com a má gestão dos esforços de guerra e erros militares motivam reprovação entre assessores e conselheiros.

Pedro Zagacho Gonçalves

Depois de se ver isolado de anteriores aliados, da Europa e de quase todo o mundo, no seguimento da invasão da Ucrânia, Vladimir Putin vê agora críticas à sua atuação enquanto presidente também a chegarem-lhe do seu círculo mais íntimo.

Segundo adianta o Washington Post, os serviços secretos dos EUA obtiveram informação que dá conta de que um membro do círculo interno de Putin, próximo do presidente, confrontou-o diretamente com o seu desacordo perante a forma como tem sido gerida a guerra na Ucrânia.

Esta crítica é o sinal mais claro de que já há oposição interna à liderança russa sobre como os esforços na guerra têm corrido da pior maneira para Moscovo, algo que motivou Putin a ordenar a mobilização parcial de centenas de milhares de reservistas, como forma de combater as pesadas baixas russas nas frentes de guerra.

A informação obtida pelos EUA foi incluída no briefing diário de Joe Biden, e partilhada com outros oficiais de topo norte-americanos. As críticas focam-se sobretudo na má-gestão feita do conflito e dos erros feitos por aqueles que dão e executam as ordens militares.

O círculo mais próximo de Putin, de onde partem as críticas agora reveladas, é composto por poucos elementos, maior parte deles conselheiros e assessores, que foram colegas do presidente na altura em que era agente da KGB ou quando ocupou o cardo de delegado do presidente da Câmara se São Petersburgo, na década de 1990, depois do colapso da União Soviética.

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“Desde o início da ocupação que temos observado um alarme crescente de vários membros do círculo interno de Putin. A nossa pesquisa sugere que estão preocupados pelas recentes derrotas russas no campo de batalha, falta de direção e limitações militares graves”, adianta ao The Washington Post um oficial que teve acesso à informação secreta.

Ao mesmo jornal, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, admite que tem havido tensão e debate entre líderes russos aquando da mobilização ordenada por Putin. “Há desacordo em momentos como esse. Alguns acham que devemos agir de forma diferente. Mas isso é tudo parte do processo de trabalho habitual. Não é sinal de divisão”, garante Peskov, recusando ser verdade que uma pessoa próxima de Putin o tenha confrontado diretamente.

Críticas de oficiais nomeados pelo Kremlin nas regiões anexadas
A reprovação às decisões tomadas por Putin e, principalmente, pelo ministro da Defesa da Rússia, já chegam também das regiões anexadas ilegalmente pelo Kremlin (Kherson, Zaporíjia, Luhansk e Donetsk).
Kirill Stremousov, um dos responsáveis pela administração militar civil da região ocupada de Kherson, nomeado pelo Kremlin, chegou mesmo a sugerir que o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, deveria matar-se.

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Stremousov arrasou os “generais e ministros” de Moscovo, pela forma como falharam o entendimento dos problemas nas frentes de guerra e territórios tomados pelos russos.

“De facto há muitos que dizem: se fossem eles um ministro da Defesa que permitiu que as coisas chegassem a este estado, deviam, como oficias, dar um tiro neles mesmos. Mas sabem, para muitos a palavra ‘oficial’ é incompreensível”, defendeu o responsável num vídeo divulgado.

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