Marcada para esta quinta-feira, 5 de Dezembro, a licitação da Prado Karton, em Tomar, não chegou a realizar-se. «O juiz mandou cancelar o leilão, na sequência de dois requerimentos entrados em tribunal», disse ao “Jornal de Negócios” fonte próxima do processo, sem adiantar as causas.
Contactado, o administrador de insolvência da Prado Karton (redenomização adquirida em 2003), Pedro Pidwell, recusou prestar quaisquer esclarecimentos. Segundo o catálogo da leiloeira, estaria a leilão a globalidade deste complexo industrial, que ocupa uma área de 55 hectares e tem uma área coberta de mais de 25 mil metros quadrados.
Ao fim de 245 anos de laboração, e vários nomes e proprietários depois, a fábrica declarou falência a 30 de Junho de 2017, já nas mãos da «private equity» Atena, com dívidas de 11 milhões de euros. A sua fábrica «irmã» da Lousã, que se mantém em actividade, constitui-se como a maior credora (4,8 milhões de euros), seguindo-se o Santander (dois milhões de euros) e a Caixa Geral de Depósitos (cerca de um milhão de euros).
A Prado Karton fez parte do universo Champalimaund, tendo sido nacionalidade em 1974. Reprivatizada em 1999, foi parar às mãos da entretanto falida Finpro, que era controlada pelo Estado, Banif e grupo Amorim. Em 2016 foi vendida à capital de risco Atena, que detém, entre outras, a Malo Clinic e o grupo editorial Leya. A Atena começou por suspender a produção da Prado por seis meses, tendo um ano depois declaro falência, atirando mais de 70 pessoas para o desemprego.
Foi colocada à venda por três milhões de euros, em Março passado, mas recebeu apenas ofertas de sucateiros, a mais alta das quais de 1,5 milhões, tendo sido rejeitada pela comissão de credores.



