Porque é que Warren Buffett arrasa o investimento em arte?

Há quase 60 anos, Warren Buffett emitiu uma circular a todos os clientes da Buffett Partnership, o fundo de investimento que o milionário administrava antes da Berkshire Hathaway, para explicar porque é que não se deve investir em arte. O manuscrito passou a fazer parte da “bíblia” que qualquer investidor e seguidor de Buffet deve ler.

Fábio Carvalho da Silva

Há quase 60 anos, Warren Buffett emitiu uma circular a todos os clientes da Buffett Partnership, o fundo de investimento que o milionário administrava antes da Berkshire Hathaway, para explicar porque é que não se deve investir em arte. O manuscrito passou a fazer parte da “bíblia” que qualquer investidor e seguidor de Buffet deve ler.

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Para defender a sua posição, o multimilionário recorreu a uma obra conhecida, a ‘Mona Lisa’. Segundo Buffett, quando o rei francês Francisco I,  comprou a obra de arte de Leonardo Da Vinci em 1540 por 4.000 coroas de ouro, o equivalente a 20.000 dólares (na altura) “fez um péssimo negócio, pois se em vez disso o monarca tivesse aplicado o seu dinheiro noutro produto com uma taxa pós-imposto de 6% ao ano, hoje em dia (em 1963), os cofres franceses teriam pelo menos 1 bilião de dólares,  3.000 vezes mais do que a sua dívida pública (da altura)”, explicou o investidor.

Estas afirmações foram particularmente fortes na altura, já que em 1962, a “Mona Lisa” foi avaliada em 100 milhões de dólares, cerca de 900 milhões de dólares, tendo em conta a inflação dos dias de hoje.

“Com este exemplo, espero que se acabe com a discussão sobre a compra de pinturas”, brincou na altura Buffet. Ironicamente, o investidor gosta de comparar a sua atividade à de um artista: “investir é a arte de colocar dinheiro agora para obter muito mais dinheiro mais tarde”, afirmou o multimilionário na reunião anual de acionistas da Berkshire em 1998. 

Além disso, Buffett comparou a construção de um negócio com a criação de uma pintura. O administrador recorreu, na altura, a esta analogia para persuadir o cofundador da National Indemnity, Jack Ringwalt, a vender a sua companhia de seguros à Berkshire em 1967.

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O investidor perguntou a Ringwalt ficaria feliz com o desmantelamento do seu império, após a sua morte. o cofundador da National INdmnity respondeu que não, ao que Buffet assegurou que a Berkshire respeitaria e nunca venderia o seu negócio, para além de permitir que Ringwalt continuasse a “pintar” o negócio vendido.

As analogias da sua atividade à arte são incontáveis. Um dia, em 2016, um dos mais destacados investidores em ações disse “que eu considero a Berkshire Hathaway como um pintor em relação a uma pintura, a diferença é que neste caso a tela é ilimitada”

 

 

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