O presidente da Jerónimo Martins defendeu hoje o “alívio da carga fiscal” perante o aumento de custos e da inflação, nomeadamente do IRS e do IVA, e entende que para tal é preciso “fazer algumas reformas” e “coragem”.
Pedro Soares dos Santos falava na conferência de imprensa ‘online’ dos resultados de 2021 do grupo, cujo lucro subiu 48,3% face a 2020, para 463 milhões de euros.
“Acho que a maior reforma que nós precisávamos era de uma reforma, de um alívio fiscal, fortemente para apoiar as famílias portuguesas neste fator de incerteza de aumento de custos e de inflação”, defendeu Pedro Soares dos Santos, questionado sobre que reforma é que pode ser aplicada pelo novo Governo, atendendo à crise atual.
O presidente do grupo dono do Pingo Doce apontou que “a grande reforma que este país precisava era fiscal e era de um alívio fiscal para que as pessoas e as companhias pudessem ganhar um novo fôlego e, com isso, permitir que o consumo ou que as pessoas pudessem aliviar a pressão”.
“Nós temos outra grande pressão que a mim preocupa fortemente, e já não é deste ano, [que] é a dívida”, sublinhou.
E, “com a dívida, os juros, e a tendência é que os juros vão subir e o impacto que vai ter nas nossas famílias vai ser muito grande”, considerou.
Atualmente, “há um novo Governo, há uma maioria, vai ajudar muito na governação”, porque “uma maioria ajuda, mas eu acho que nós vamos enfrentar problemas muito delicados sob o ponto de vista do custo da energia, do custo da inflação, das taxas de juro e, acima de tudo, da perda de rendimento”.
Essa recuperação, defendeu, tem de ser através de um alívio fiscal.
“E para se fazer esse alívio fiscal deve-se fazer algumas reformas, que é preciso coragem, que eu espero que [o Governo] tenha, agora que tem a maioria”, rematou.
Sobre que tipo de alívio da carga fiscal, Pedro Soares dos Santos elencou o “IRS das famílias, em todas, e o IVA no consumo”, além das inúmeras taxas que existem.
Além disso, apontou também as taxas sobre a energia.
“Penso que para Portugal manter-se competitivo teria de baixar muito os impostos sobre a energia, agora se é possível ou não, só quem está no Governo poderá saber, porque teria de fazer grandes reformas a nível de custos”, referiu.
“E as reformas a nível de custos tem o seu peso”, sublinhou.
O grupo Jerónimo Martins comemora em 2022 os seus 230 anos de existência, num momento que em paira uma nuvem de incerteza, atendendo à invasão da Ucrânia pela Rússia.
“Os 230 anos da Jerónimo Martins, para mim, era um desafio muito bonito”, mas neste momento “sinto uma certa dor, porque realmente o mundo está demasiado perigoso e demasiado incerto”, disse.
“Mas não deixam de ser 230 anos, não deixam de ser 100 anos na minha família, não deixo de ser a quarta geração e só tenho motivo de orgulho na equipa que está comigo, porque sem eles eu não também não estaria aqui a comemorar”, acrescentou.
Apesar das circunstâncias que se vivem, “iremos tentar comemorar estes 230 anos porque vale a pena”, concluiu Pedro Soares dos Santos.














