OIT alerta para perdas “massivas” de emprego em todos os setores com a pandemia

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou esta terça-feira para perdas “massivas” de emprego devido ao impacto económico da pandemia de covid-19 em todo o mundo, numa série de análises.

Num comunicado, a acompanhar estas análises setoriais, a OIT revelou “perdas massivas de atividade e emprego em todos os setores”.

Para o organismo, os países em desenvolvimento serão os mais atingidos, sublinhando a OIT que “a pobreza está em crescimento”.

“A crise da covid-19 está a ter um efeito devastador nos trabalhadores e empregadores de todos os setores. Os trabalhadores em serviços essenciais, como saúde e resposta de emergência, estão em alto risco de infeção. Os trabalhadores de supermercados, tripulantes de cabine e da área automóvel estão entre os que viram a sua saúde e os seus meios de subsistência ameaçados pela pandemia”, sublinhou a OIT.

A organização analisou as áreas de saúde, educação, retalho, automóvel, turismo, aviação, agricultura, navegação marítima e pescas, têxteis e calçado.

Este trabalho mostra a “coragem” dos trabalhadores dos serviços de emergência e de saúde, bem como de professores, lojistas e outros, que “mantêm as sociedades a funcionar”.

A OIT dá ainda conta de “medidas dramáticas” tomadas por governos, empregadores e trabalhadores para conter o vírus e limitar os danos aos negócios, empregos e à economia no geral.

De acordo com a OIT, estas medidas estão focadas em quatro objetivos imediatos, que passam por proteger trabalhadores no local de trabalho, apoiar os negócios, empregos e salários, estimular a economia e o emprego e confiar num diálogo social que assegure que os países e setores recuperem mais rápido e melhor.

De acordo com a OIT, o setor do turismo foi “particularmente atingido” e o impacto no transporte marítimo é “substancial”, tendo em conta a suspensão de cruzeiros.

O setor automóvel também está “em dificuldades” face uma paragem abrupta e geral, estando os empregadores a mandar os funcionários para casa.

No caso dos têxteis e calçado, a quarentena já levou a uma queda do consumo. Só no Bangladeche, as perdem ascendem já a 2,7 mil milhões de euros e afetam perto de 2,17 milhões de trabalhadores, de acordo com a OIT.

Na aviação civil, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, em inglês) estima que a pandemia de covid-19 possa colocar 25 milhões de empregos em risco, sobretudo na Ásia e na Europa, sendo que as receitas poderão cair 44% face a 2019.

A agricultura e segurança alimentar também foram muito afetadas, salientou a organização.

A diretora do departamento de políticas setoriais da OIT, Alette van Leur, citada no mesmo comunicado, disse que “muitos dos Estados-membros da organização estão a tomar medidas sem precedentes”, mas alertou para que é preciso “aumentar o investimento em condições de trabalho decentes e seguras para quem trabalha na linha da frente e assegurar que a pandemia não deixa marcas profundas nas economias, pessoas e trabalhos”.

A OIT pediu aos governos mundiais para estender a proteção social a todos e está a aconselhar medidas de promoção da retenção do emprego, trabalho a curto prazo, baixa por doença paga e outros subsídios.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 172.500 mortos e infetou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 558 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 762 pessoas das 21.379 registadas como infetadas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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