O streaming de TV com publicidade?

Por Manuel Falcão, Conselho Executivo da Nova Expressão, planeamento de media e publicidade

ATÉ AQUI OS SERVIÇOS DE STREAMING com produção própria estavam apenas disponíveis mediante assinatura paga. Um estudo realizado nos EUA em 2020 indicava que 62% dos utilizadores de serviços como a Netflix estavam confortáveis com a situação e preferiam que fosse assim a terem de ver publicidade, o que era aceite apenas por 32% dos espectadores. Mas entretanto, com o crescimento de canais de streaming e com o aumento de custo mensal que implica ter vários serviços disponíveis, as coisas evoluíram um pouco. Um inquérito recente, já deste ano, mostra que 63% dos espectadores estão agora dispostos a ter publicidade de forma moderada nos serviços que compram, desde que isso signifique uma redução sensível no custo da respectiva assinatura. Os novos serviços de streaming da NBC Universal Peacock estão a seguir esse caminho e colocam um máximo de 5 minutos por hora – nos EUA o máximo de publicidade em cada hora nos canais convencionais é de 16 minutos. A HBO+ e a Discovery+ também seguem o mesmo caminho, mas neste caso com um máximo de 4 minutos por hora. Mais cedo ou mais tarde, a publicidade vai chegar à maioria das plataformas de streaming – resta saber em que condições e como reagirão os assinantes aos novos valores propostos. Em cima da mesa está em estudo um modelo semelhante ao Spotify, em que há uma assinatura que garante a ausência de publicidade e um serviço que inclui spots de anunciantes, este último gratuito e que no caso do video pode ter um custo reduzido. Entretanto, convém lembrar que com as novas regras sobre utilização de dados por parte, por exemplo, da Apple, as empresas de serviços de streaming ficam numa posição forte já que as suas bases de dados sobre perfil e hábitos dos assinantes têm um valor assinalável para muitas marcas. Algo me diz que chegaremos ao fim de 2022 com o panorama dos serviços de streaming bastante alterado.


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