O lado Zen dos CEO

Meditação, caminhada, montanhismo, mergulho ou retiros. Face ao ritmo frenético a que gerem empresas, alguns CEO testemunham a necessidade de parar. Para serem melhores.

Executive Digest

Produzir mais, consumir mais, viver de forma mais acelerada, em corrida e resposta contínua a vários estímulos. Informação a chegar por vários canais, contactos e estímulos constantes. Numa altura em que empresas, colaboradores e toda uma civilização vive a um ritmo superior ao “normal”, questões como bem-estar, foco, ou ansiedade e burnout voltam a estar, mais ainda, na agenda dos dias.

Parar é preciso e às vezes se não se pára a bem pára-se a mal. O corpo envia-nos avisos: a tensão arterial que dispara para níveis que obrigam a um internamento hospitalar, a insónia que faz com que às quatro da manhã se esteja a trabalhar no computador na cama, o não ser capaz de desligar.

«São casos reais de executivos que pediram ajuda através do coaching, em alguns casos complementado com retiros», começa por contar-nos Dalila Pinto de Almeida, consultora da DPA Consultoria, habituada a que cada vez mais executivos procurem alternativas ao que conhecem.

O detonador pode também ser um acontecimento traumático: «um acidente grave ou a perda de alguém próximo que exige uma perspectiva diferente sobre a vida», acrescenta. E como os bons exemplos devem vir de cima, há um número crescente de responsáveis de empresas a partilhar publicamente experiências de maior introspecção como ferramentas para melhores resultados, sem esforço.

A meditação conhece cada vez mais adeptos e yoga é palavra e prática transversal. Assim como os retiros deixaram de ter carimbo religioso e a caminhada em silêncio ou as expedições ao cume das montanhas e o mergulho ganharam nova dimensão.

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Nos anos 70, o médico Jon Kabat-Zinn estava num retiro budista a praticar meditação quando teve uma intuição: extrair as técnicas da meditação do contexto religioso e torná-las seculares e acessíveis. De então para cá, a sua prática regular tem vindo em crescendo, com o mindfulness e a técnica do “aqui e agora” a conquistar empresas e instituições. «Repensar a vida parece ser a grande motivação para se fazer um retiro.

Os ganhos que se querem obter passam por “limpar a cabeça”, melhorar o conhecimento de si próprio, conseguir foco no que é verdadeiramente importante, passando a estar presente em cada momento da vida, ter um pensamento mais límpido e claro. Se estas expectativas forem cumpridas, haverá naturalmente um impacto positivo no estilo de liderança e no relacionamento com os outros», esclarece Dalila Almeida.

De qualquer modo, diz ainda: «Não somos máquinas a que se pode fazer um reset para ficar mais eficaz. É preciso treinar todos os dias – e nesse sentido a meditação diária ou o simples acto de retirar alguns minutos para parar, sem a preocupação de até na meditação ter que ser perfeito, podem funcionar como manutenção.» No mundo da gestão parece de facto ser uma tendência.

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«Cada vez são mais os que procuram alternativas ao que já conhecem. E, ou porque há cansaço com experiências anteriores ou porque não resultaram, corre-se para a última tendência. No entanto, o retiro e a meditação são práticas com milhares de anos, na sua origem, enraizadas na civilização oriental, não são uma de ter carimbo religioso e a caminhada em silêncio ou as expedições ao cume das montanhas e o mergulho ganharam nova dimensão.

Nos anos 70, o médico Jon Kabat-Zinn estava num retiro budista a praticar meditação quando teve uma intuição: extrair as técnicas da meditação do contexto religioso e torná-las seculares e acessíveis. De então para cá, a sua prática regular tem vindo em crescendo, com o mindfulness e a técnica do “aqui e agora” a conquistar empresas e instituições.

«Repensar a vida parece ser a grande motivação para se fazer um retiro. Os ganhos que se querem obter passam por “limpar a cabeça”, melhorar o conhecimento de si próprio, conseguir foco no que é verdadeiramente importante, passando a estar presente em cada momento da vida, ter um pensamento mais límpido e claro.

Se estas expectativas forem cumpridas, haverá naturalmente um impacto positivo no estilo de liderança e no relacionamento com os outros», esclarece Dalila Almeida. De qualquer modo, diz ainda: «Não somos máquinas a que se pode fazer um reset para ficar mais eficaz.

É preciso treinar todos os dias – e nesse sentido a meditação diária ou o simples acto de retirar alguns minutos para parar, sem a preocupação de até na meditação ter que ser perfeito, podem funcionar como manutenção.» No mundo da gestão parece de facto ser uma tendência.

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«Cada vez são mais os que procuram alternativas ao que já conhecem. E, ou porque há cansaço com experiências anteriores ou porque não resultaram, corre-se para a última tendência. No entanto, o retiro e a meditação são práticas com milhares de anos, na sua origem, enraizadas na civilização oriental, não são uma metodologia que se abraça e abandona», chama a atenção Dalila Almeida.

Carlos Quintas, fundador e ex-CEO da Altitude Software, espantou todos quando há anos decidiu estacionar de vez o seu Ferrari e seguir para um retiro budista. Nunca mais voltaria a assumir funções executivas! Luís Portela, fundador e chairman da Bial, ainda se mantém em funções não executivas (delegou no filho) mas já partilhou experiências em livros por si publicados e entrevistas.

Formado em Medicina, o homem que fundou uma das maiores empresas farmacêuticas portuguesas assume-se assim um curioso pelos temas da espiritualidade e da parapsicologia, que aprendeu a cruzar com a investigação científica. Nesta edição, a Executive Digest conta contudo histórias de outros cinco grandes responsáveis de empresas com funções exigentes, de muita pressão e competitividade, que são hoje gestores e líderes mais calmos e saudáveis, física, emocional e mentalmente.

Tal como a expressão atribuída a Buda, quando lhe perguntaram o que ganhava com meditar: «Ganhar, não ganhei nada, mas perdi ansiedade, stress, tristeza, dualidade e sofrimento». Helena Bento é general manager da Jerónimo Martins Distribuição e foi preciso chegar a uma pré-falência física para perceber que tinha que começar a «tomar conta» de si. Hoje, diz conseguir iguais ou melhores resultados, sem pressão e sofrimento.

E procura ajudar as equipas que com ela trabalham. Também Ricardo Parreira, co-fundador e CEO da PHC Software, precisou de controlar a imensa quantidade de pensamentos para ceder à meditação. Hoje fá-lo em ritmo diário e levou a prática para a empresa. João Vieira de Almeida, managing partner da Vieira de Almeida, tem a vida que escolheu e é um homem realizado graças à sociedade de advogados.

Desengane-se quem pensar o contrário. Mas teve custos elevados na sua vida pessoal, bem-estar e equilíbrio. Há oito anos, fez a primeira expedição às montanhas em exaustão e nunca mais foi o mesmo. Paulo Pereira da Silva é CEO da Renova e confessa que foi em momentos de «pausa», como lhe chama, que teve maiores ideias e tomadas de decisão mais clarividentes.

Seja a assistir a um espectáculo, em reflexão num mosteiro ou a mergulhar em mares profundos. E Nuno Ferreira Pires, CEO da Sport TV, faz retiros anuais e pausas semanais. Diz que para ter êxito tem de estar «tecnicamente habilitado, espiritualmente orientado e fisicamente apto».

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