O fim das grandes consultoras?

Opinião de Hugo de Sousa, CEO da Mars Shot – Consultora de nova geração focada em transformação digital com IA – e Professor de Strategic Business Analytics na Bayes Business School – City University of London

Executive Digest
Agosto 7, 2025
10:47

Por Hugo de Sousa, CEO da Mars Shot – Consultora de nova geração focada em transformação digital com IA – e Professor de Strategic Business Analytics na Bayes Business School – City University of London

A era dourada das grandes consultoras pode estar a chegar ao fim. No centro desta mudança está a Inteligência Artificial (IA), que tem vindo a transformar profundamente a forma como os serviços de consultoria são prestados. Alguns estudos recentes, de empresas como a McKinsey, Forbes, Altix Consulting, indicam que entre 70% e 84% das iniciativas de transformação digital falham em atingir os objetivos definidos. Um número impressionante, tendo em conta os investimentos avultados feitos pelas empresas.

O caso do LIDL é sintomático: o projeto de implementação de um sistema SAP que custou mais de 500 milhões de euros… e foi abandonado. A empresa acabou por regressar aos seus sistemas internos, considerando o novo sistema demasiado complexo, rígido e incapaz de se adaptar ao negócio. Um verdadeiro desastre – com dedo de uma grande consultora – que pôs em causa a credibilidade do modelo tradicional de transformação digital.

A verdade é que os clientes estão cansados. Cansados de pagar milhões por relatórios densos, diagnósticos infindáveis e apresentações em PowerPoint que raramente se traduzem em ações concretas. As grandes consultoras operam com estruturas hierárquicas e processos extensos que encarecem e atrasam a entrega de valor. Isto é incompatível com a lógica atual de build fast, learn fast.

Na minha opinião, o modelo em cascata – estudar, apresentar e só depois executar – está desajustado aos tempos atuais. Quando finalmente se implementa algo, o contexto já mudou e a solução chega desatualizada. Hoje, a realidade dos negócios exige rapidez, flexibilidade e iteração constante. Isto porque, as empresas procuram impacto imediato, não recomendações teóricas.

Em resposta, está a emergir uma nova forma de trabalhar: mais ágil, mais humana, mais centrada na tecnologia. E, ferramentas como o ChatGPT, Copilot ou agentes autónomos de IA estão a automatizar tarefas que antes exigiam horas de trabalho de consultores.

O conceito de vibe coding, onde o código e as soluções são gerados de forma colaborativa e em tempo real com recurso a IA, está a redefinir a forma como se trabalham problemas de negócio. Já não é preciso passar semanas a preparar relatórios: hoje, é possível cocriar soluções com equipas multidisciplinares em poucos dias, com protótipos funcionais desde o primeiro momento. Não se trata de acelerar por acelerar, mas sim de se focar no essencial, validar com protótipos, eliminar o ruído e criar impacto real. Com menos recursos e em menos tempo.

No entanto, o problema não está na tecnologia, está na forma como é (ou não) integrada nas organizações Mais de 75% dos líderes dizem que a IA é uma prioridade, mas apenas 25% conseguem retirar benefícios reais das iniciativas de IA (Business Insider). O erro está em implementar IA sem repensar os processos, a cultura e o modelo de governação.

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