A administração de Donald Trump está disposta a manter negociações com Cuba, mas estabeleceu uma condição central para qualquer avanço significativo: a saída do atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
Segundo informações avançadas pelo The New York Times, citando quatro fontes com conhecimento direto das conversações entre os dois países, a Casa Branca considera que não haverá progresso relevante enquanto o atual líder cubano permanecer no poder.
De acordo com as mesmas fontes, a estratégia da administração norte-americana não passa necessariamente por promover uma mudança de regime direta, mas sim por forçar a sua conformidade com os interesses dos Estados Unidos. Ainda assim, a saída de Díaz-Canel é vista como um passo essencial para desbloquear o processo.
A posição reflete preocupações de Washington quanto ao perfil político do presidente cubano, considerado um dirigente de linha dura, pouco propenso a implementar reformas económicas estruturais. A sua substituição seria encarada como uma vitória simbólica para Trump, reforçando a sua imagem política, tanto internamente como junto da comunidade cubano-americana.
A administração norte-americana pretende, a longo prazo, abrir a economia cubana ao investimento dos Estados Unidos, o que poderia transformar a ilha num parceiro económico dependente de Washington. Esta ambição enquadra-se numa política mais ampla de pressão sobre Havana.
Atualmente, Cuba enfrenta uma grave crise energética, que as autoridades locais atribuem a um bloqueio energético imposto pelos EUA. Este bloqueio intensificou-se após Trump ter assinado uma ordem executiva que introduziu sanções sobre o fornecimento de petróleo à ilha.
Nos últimos tempos, Donald Trump tem adotado um tom particularmente agressivo em relação ao regime cubano. O presidente norte-americano afirmou que a “ditadura comunista em Cuba” está em declínio e sugeriu que pretende assumir controlo sobre o futuro do país.
“Se eu a libertar ou a tomar… penso que posso fazer o que quiser com ela, para dizer a verdade”, declarou Trump, acrescentando que Cuba é “uma nação muito enfraquecida” liderada por dirigentes “muito violentos”.
Apesar da retórica, os Estados Unidos ainda não avançaram com medidas diretas contra a família Fidel Castro, que continua a exercer influência política no país. Esta limitação tem levado a administração Trump a procurar alternativas para provocar mudanças no sistema político cubano.
Além de Díaz-Canel, Washington pretende também o afastamento de outros dirigentes mais antigos ligados à ideologia de Fidel Castro, que liderou Cuba durante quase meio século até à sua retirada em 2008. Paralelamente, a libertação de presos políticos tem sido outra exigência colocada pelos EUA.
Miguel Díaz-Canel, de 65 anos, lidera Cuba desde 2018 e acumula também funções como chefe do Partido Comunista. O seu mandato atual termina dentro de cerca de dois anos, o que poderá influenciar o calendário político e as expectativas de mudança.
Ainda assim, permanece incerto até que ponto a comunidade cubana, especialmente a diáspora nos Estados Unidos, apoiaria uma aproximação liderada por Trump caso esta não resultasse numa transformação política profunda do país.





