Tudo começou com a denúncia feita por uma comediante. Um assunto sério pela voz de quem faz rir. E desde então, está a decorrer um intenso debate sobre o assédio sexual no local de trabalho na Dinamarca, com centenas de mulheres a denunciar abusos, impulsionadas pelo movimento #MeToo, segundo a ‘BBC’.
«Estou extremamente feliz por ser a apresentadora aqui hoje», começou por referir a apresentadora Sofie Linde, no Zulu Comedy Gala. «Sou apenas a segunda anfitriã em 14 anos», acrescentou. Depois de algumas piadas, o discurso de Linde começou a ficar sério quando detalhou que recebeu menos do que os seus co-apresentadores.
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«Podemos fingir que não há diferença entre homens e mulheres na Dinamarca», disse Linde, que também trabalha no programa de talentos dinamarquês Factor X. «Simplesmente não é verdade», acrescentou a responsável revelando que quando tinha 18 anos, no seu inico de carreira, um dos seus responsáveis na altura exigia que fizesse práticas sexuais, ameaçando que caso contrario iria arruinar a sua carreira.
O momento, transmitido há duas semanas, catalisou um debate nacional que viu o movimento #MeToo de Linde receber elogios e críticas. Consternadas com as reações negativas, várias jornalistas escreveram uma carta aberta de apoio no jornal Politiken, denunciando o assédio sexual e a cultura sexista no local de trabalho. «Estão certas. Nós também já sofremos do mesmo», disseram.
«Todas nós já passamos por isto em maior ou menor escala ao longo das nossas carreiras: comentários inadequados sobre a nossa aparência ou roupas; mensagens sugestivas; comportamento físico que ultrapassa os limites. Avisos de que há alguns homens que devemos evitar na Festa de Natal. Já aconteceu antes. Ainda acontece», acrescentaram.
Quando o jornal foi publicado, 701 mulheres tinham assinado a carta. No dia seguinte, eram mais de 1.600. Aquelas que assinaram ou tinham experiência direta ou sabiam de uma colega que tinha, segundo a jornalista da TV2 Camilla Slyngborg, citada pela ‘BBC’.
«Não é preciso conversar mais sobre se o problema existe, mas sim sobre como resolvê-lo», disse à BBC. «Centenas de pessoas escreveram pequenas ou maiores histórias sobre o que vivenciaram. Na verdade, tem sido muito triste ler esses e-mails», acrescentou.














