Marketing Eleitoral

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Esta vai ser a eleição em que os indecisos e potenciais abstencionistas terão a palavra, provavelmente mais do que nas eleições anteriores. Os votantes partidários pouco alterarão o seu sentido de voto, pelo que estes votos estáveis garantem a base dos partidos. Mas não é suficiente para ganharem e muito menos para ganharem com maioria estável. Portanto os abstencionistas e os indecisos terão o poder de influenciar quem será o próximo primeiro ministro e qual a composição parlamentar, avaliando as causas e os valores, o seu maior motivo para decidirem. Julgo que os candidatos, os partidos e a ideologia de “esquerda e direita”) não serão um motivo para irem votar. Se forem, será para escolher um projecto político baseado em percepções de como será a sua vida depois da eleição e não em escolhas partidárias. Talvez por isso as sondagens apresentem resultados surpreendentes. Os abstencionistas e indecisos premeiam a aparente honestidade intelectual e comportamental dos candidatos, mas infelizmente alguns também valorizam as mensagens populistas e fáceis de entender. Ponto bastante positivo é que a maioria dos eleitores (não para os populistas) querem entender como as promessas são concretizadas.  Julgo que não gostam mesmo daqueles candidatos que andam “sempre a falar mal dos outros”, pois querem que falem para cada um deles (“marketing one to one”), com ideias, projectos, causas sustentadas em valores e princípios que podem ser de direita, esquerda ou do centro.  Julgo portanto que escolhem mais pela imagem de seriedade, genuinidade e autenticidade. Talvez por isso o desempenho nas sondagens de alguns projectos esteja a melhorar a olhos vistos. Com outros candidatos que são “mais do mesmo”, que parecem apresentar uma manta de retalhos eleitoral e o mesmo disco riscado como mensagem. Por isso o discurso da ameaça “do papão da direita” tomar o poder como se a esquerda fosse a única legítima “dona da democracia” (mas também o oposto em relação à esquerda não respeitar o equilíbrio das contas públicas), não está a vingar em segmentos que podem decidir quem ganhará as eleições e formará governo: os abstencionistas, os indecisos, nomeadamente os jovens e os emigrantes. Os eleitores jovens não entendem esta discussão ideológica, pois a “questiúncula” entre direita e esquerda é compreensível para a geração nascida antes, durante ou imediatamente após o 25 de abril. Por isso, os jovens, os filhos e os pais emigrantes são os mais indecisos e que menos votam (apesar do reduzido número de deputados eleitos pelo círculo da emigração, esta atinge sempre altos níveis de abstencionismo). Provavelmente votarão naqueles que menos falam desse confronto dos ideais de abril que desconhecem e nem entendem. 


Portanto a sugestão de campanha eleitoral deveria ser de esclarecer, fundamentar e consolidar um projecto político, baseado em causas e valores que antecipe ás pessoas como será a sua vida se o candidato X ganhar as eleições. Por outro lado garantir que irá existir estabilidade futura no modelo governativo e não um “coito interrompido” como na anterior legislatura. E a vitória da democracia será esclarecer todos, mas nomeadamente os mais jovens e os emigrantes, levando-os a participar na vida pública conscientes do seu direito e dever cívico de irem sempre votar.


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