Mais de 2 mil mortos e 1200 desaparecidos na Líbia devido à passagem da tempestade Daniel

Cerca de 2 mil pessoas terão morrido em Derna, no lesta da Líbia, após a passagem da poderosa tempestade Daniel por este território. O número é avançado pelo primeiro-ministro do autoproclamado governo local, que dá conta de “pelo menos dois mil desaparecidos”, sem justificar os números que, segundo o Crescente Vermelho, apontam para já 150 vítimas mortais confirmadas.

Pedro Zagacho Gonçalves

Cerca de 2 mil pessoas terão morrido em Derna, no lesta da Líbia, após a passagem da poderosa tempestade Daniel por este território. O número é avançado pelo primeiro-ministro do autoproclamado governo local, que dá conta de “pelo menos mais de dois mil desaparecidos”, sem justificar os números que, segundo o Crescente Vermelho, apontam para já 150 vítimas mortais confirmadas.

O chefe do governo paralelo do leste líbio, Osama Hammad, definiu a situação em Derna de “catastrófica” ao referir-se a “milhares de desaparecidos, bairros inteiros arrasados e levados por um mar com os seus habitantes”, dando conta de pelo menos 1200 desaparecidos.

Kais Fhakeri, responsável do Crescente Vermelho em Banghazi, explicou à Al Jazeera que o número de mortos confirmados deverá subir muito em breve para 250. Os níveis das águas, devido às chuvas torrenciais que causaram cheias e inundações, chegaram a atingir três metros em Derna.

Duas barragens colapsaram na cidade, relatou a Câmara Municipal. “Alguns especialistas dizem que mais de 30 milhões de metros cúbicos de água escoaram pela cidade, e estamos a começar a ver imagens de bairros inteiros destruídos”, lamentou o responsável local Malik Traina.

Imagens nas redes sociais mostram pessoas desesperadas, nos telhados de casa ou nos tejadilhos dos carros, a serem arrastadas, em cidades como Benghazi, Susa, Bayda, ou al-Marj, desde domingo.

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O Crescente Vermelho diz que perdeu contacto com as equipas que trabalhavam para resgatar uma família em Bayda, e que haverá dezenas de trabalhadores de resgate desaparecidos, que poderão ter sido arrastados pelas inundações que continuam a devastar casas e propriedades em várias localidades.

Contam-se também pelo menos sete membros do Exército líbio que desapareceram durante os esforços de resgate dos milhares de pessoas afetadas.

Segundo o Centro Nacional de Meteorologia líbio, a precipitação ultrapassou os 400 mililitros por hora, um valor que não se registava há quatro décadas. Um membro do Conselho Municipal de Derna, Ahmed Amdur, pediu uma intervenção internacional “urgente” para “salvar a cidade”.

O colapso de zonas residenciais e de edifícios e infraestruturas públicas e privadas implicou o bloqueio dos acessos rodoviários, com Amdur a pedir um corredor marítimo para fornecer auxílio aos habitantes desta cidade costeira situada na zona leste do país.

Abdulhamid Debiba, o primeiro-ministro do Governo de Unidade Nacional (GUN) com sede em Tripoli (oeste) prometeu que o Estado vai indemnizar as populações atingidas pelas inundações e decretou três dias de luto nacional pelas vítimas.

Em simultâneo, anunciou o envio para Derna de 50 ambulâncias e uma equipa de 75 médicos e enfermeiros, para além de diverso material destinado a reforçar os hospitais das zonas rurais.

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A missão das Nações Unidas na Líbia (Unsmil) declarou em comunicado que acompanha e perto a situação de emergência e manifestou “disponibilidade para fornecer apoio aos afetados”.

Após ter atingido a Grécia e Turquia nos últimos dias, o ciclone Daniel tornou-se numa tempestade subtropical em 09 de setembro e espera-se que comece a enfraquecer sobre a Líbia a partir de hoje, e quando se dirige para o vizinho Egito, segundo o centro meteorológico regional árabe.

*Com Lusa

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