A CP – Comboios de Portugal fechou 2025 com uma melhoria significativa dos seus resultados financeiros, tendo mais do que duplicado o resultado líquido para 4,9 milhões de euros, num ano marcado por crescimento da procura e reforço do investimento na modernização da operação.
De acordo com o Relatório e Contas de 2025, a empresa consolidou uma trajetória de maior robustez financeira, suportada pelo aumento dos proveitos de tráfego, que atingiram 282,8 milhões de euros, e pela expansão da atividade de manutenção prestada a terceiros, que ascendeu a 21,4 milhões de euros.
A administração da CP sublinha que o ano foi particularmente exigente do ponto de vista operacional, mas ainda assim demonstrou a capacidade da empresa em evoluir e reforçar a sua posição no sistema de mobilidade nacional. O presidente do conselho de administração, Pedro Moreira, destaca que 2025 foi “um ano relevante no percurso de transformação da CP”, sublinhando a adaptação da empresa num contexto desafiante para a operação ferroviária.
Nos últimos quatro anos, a CP manteve resultados líquidos positivos consecutivos, um desempenho que reforçou a perceção de maior disciplina de gestão e sustentabilidade financeira. Esta evolução levou o Instituto Nacional de Estatística Instituto Nacional de Estatística a reclassificar a empresa como Entidade de Mercado, retirando-a do perímetro orçamental do Estado — um sinal do reforço da sua autonomia e solidez económico-financeira.
No plano da procura, 2025 ficou marcado por um novo máximo histórico deste século, com mais de 208 milhões de passageiros transportados, um crescimento de 10,9% face ao ano anterior. Este desempenho reflete a crescente adesão ao transporte ferroviário em Portugal, num contexto em que a mobilidade sustentável tem ganho relevância.
Entre os fatores que explicam esta evolução estão o impacto do Passe Ferroviário Verde, que alargou o acesso ao serviço ferroviário, bem como o reforço da oferta, nomeadamente no serviço Alfa Pendular, e a reabertura de ligações estratégicas como a Linha da Beira Alta Linha da Beira Alta e a reativação do serviço de passageiros na Linha de Leixões Linha de Leixões.
Apesar do crescimento da procura, a operação continuou condicionada por constrangimentos na infraestrutura, associados a obras de modernização em curso e limitações de velocidade, com impacto na pontualidade.
O ano ficou ainda marcado por um forte impulso no investimento. A CP avançou com a receção dos primeiros 22 novos comboios para o serviço regional, num investimento de 158 milhões de euros, e assinou o contrato para a aquisição de 117 novas automotoras elétricas, posteriormente reforçado com 36 unidades adicionais e com a antecipação das entregas, num investimento global de 1.064 milhões de euros. Trata-se do maior investimento de sempre da empresa em material circulante.
Já em 2026, a empresa lançou ainda o concurso para a aquisição e manutenção de 12 comboios de alta velocidade, com um valor base de 504 milhões de euros, podendo a opção ser alargada a mais oito unidades.
Em paralelo, a CP acelerou a sua estratégia de transformação digital, com novos canais de atendimento, sistemas de informação em tempo real e a modernização dos equipamentos de venda, tornando o acesso ao serviço mais simples e eficiente.
No plano interno, a empresa fechou um acordo com todas as estruturas sindicais para a revisão das tabelas salariais, um entendimento considerado relevante para a valorização dos trabalhadores e para a estabilidade organizacional.
Pedro Moreira resume o ano com uma leitura otimista do percurso da empresa, sublinhando o contributo das equipas para os resultados alcançados e para a consolidação da trajetória de transformação da CP.













