A realização destas formações, além de visar dotar os alunos de conhecimentos específicos sobre o futebol profissional, tem também como objectivo aproximá-los da realidade dos clubes, fornecendo-lhes uma perspectiva mais prática do nosso futebol nacional. Em entrevista à Executive Digest, a directora executiva coordenadora da Liga Portugal, Sónia Carneiro, explica os desafios e os projectos para o futuro.
A Liga Portugal tem a obrigação de liderar o futebol profissional, uma missão assente nos valores de Credibilidade, Talento, Espectáculo e Agregação. Nesse sentido, qual é o papel que o ensino e a formação desempenham nesta missão?
A formação tem sido uma aposta desta direcção executiva, desde a primeira hora. Quando o presidente Pedro Proença chegou em 2015, apontou este como um ponto fulcral na estratégia a seguir. Toda a direcção executiva entendeu essa mensagem pois queremos ter mais quadros capazes e preparados no Futebol Profissional. Os nossos clubes são, cada vez mais, empresas e devem ser geridos como tal, daí a importância da nossa pós-graduação em Organização e Gestão no Futebol Profissional, que vai entrar na sua sexta edição. O sucesso foi de tal forma grande, que decidimos lançar a de Comunicação no Futebol Profissional por entendermos que é uma área muito importante e na qual devemos também apostar. Assim, o Talent Business Center da Liga Portugal pretende desenvolver soluções formativas para criar competências e desenvolver o talento. A realização destas formações, além de visar dotar os alunos de conhecimentos específicos sobre o futebol profissional, tem também como objectivo aproximá-los da realidade dos clubes, fornecendo-lhes uma perspectiva mais prática do nosso futebol nacional.
Quando é que a Liga Portugal considerou que era o momento ideal para começar a desenvolver formação em parceria com universidades? E porquê? Quais são os vossos objectivos?
Na verdade a junção do know-how dos profissionais da Liga Portugal e do futebol profissional com a parte académica de uma universidade afigurou-se-nos como a única forma de marcar a diferença. Ainda por cima quando a escolha e a parceria têm a chancela de uma universidade como a Católica, com todo o prestígio que sabemos ter. O corpo docente da Universidade Católica, além de altamente qualificado, oferece a garantia de qualidade e, por isso, entendemos que esta seria a melhor escolha para uma parceria de qualificação. Só assim se formam dirigentes mesclando a parte teórica, que é determinate, com a parte prática que só uma organização como a Liga Portugal pode proporcionar.
A necessidade de formação contínua é fundamental para os funcionários das estruturas desportivas. Que cursos têm actualmente em vigor ou esperam vir a ter este ano?
Neste momento temos as duas pós-graduações que já referi, ambas em parceria com a Universidade Católica, a de Organização e Gestão com a Faculdade de Direito da escola do Porto e a de Comunicação com a Católica de Braga. Estamos a estudar o lançamento de uma licenciatura, que será feita através da faculdade de economia e gestão da Católica Porto Business School. O objectivo macro é aumentar os skills e formar dirigentes mais capazes no futuro do Futebol português.
Quais são as vossas formações mais procuradas?
A pós-graduação em Organização e Gestão tem tido uma maior procura, mas pensamos que isto se deve ao facto de já estar implementada no mercado. A de Comunicação tem vindo a crescer, em termos de procura, e por isso pensamos que ambas são, neste momento, apostas ganhas.
As formações são abertas a vários tipo de destinatários? Quais?
Sim. Qualquer pessoa que tenha as qualificações pode inscrever-se numa das nossas pós-graduações e ter no currículo a chancela da Universidade Católica e da Liga Portugal, naturalmente.
A parte Jurídica, a Gestão e o Planeamento são áreas fundamentais nas formações? Porquê?
Sim, são, mas há mais. Essas são áreas fundamentais no Futebol Profissional e, por isso, entendemos que devemos apostar nelas com todo o rigor e credibilidade. Mas, como disse anteriormente, também a Comunicação é fundamental nesta indústria, não só no novo mundo das redes sociais e como o digital assumiu importância no nosso quotidiano, mas também em termos de Comunicação corporativa. Qualquer profissional da área deve estar munido de instrumentos válidos para comunicar numa crise, ou perceber, por exemplo, como ou se deve contorná-la.
Na vossa opinião, quais as características que um bom gestor desportivo precisa de ter para atingir o sucesso na profissão?
Acima de tudo deve ser um bom gestor, mas um verdadeiro apaixonado por esta indústria. Estes são dois factores que, cada vez mais, funcionam em conjunto e assim devem ser trabalhados. Um gestor de topo só terá sucesso no Futebol Profissional se entender os contornos e necessidades de uma área tão específica como esta.
Há quem considere que o talento não chega apenas para os jovens darem o salto para o alto rendimento. A formação tem aqui um papel essencial?
Esta é uma questão mais dirigida aos Clubes, mas basta olhar para o passado recente do nosso Futebol para perceber que sim. Ter bons escalões de formação e apostar neles são quase pontos obrigatórios para termos melhores futebolistas, mas também melhores homens e comunicadores, valências importantes no Futebol de hoje, no qual a globalidade é uma realidade presente.
Ainda ao nível da formação, o que ainda falta fazer e gostavam que fosse feito no futuro?
Temos vários projectos para o futuro, além da licenciatura da qual falámos. A Liga Portugal já apresenta uma série de formações, para directores de Segurança, Campo e Imprensa, bem como para os nossos delegados, que queremos aumentar e potenciar. Já na próxima época vamos igualmente implentar formações executivas em diversas áreas ligadas ao futebol profissional, como o scouting, marketing desportivo, entre outras. Diria que qualquer sector do Futebol Profissional deve ser qualificado e, por isso, será nesse caminho que vamos apostar num futuro a curto e médio prazo. Assim, o Talent Business Center da Liga Portugal continuará a organizar projectos, iniciativas e actividades que permitam desenvolver programas de formação e conhecimento.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “MBA, Pós-graduações & Formação de Executivos”, publicado na edição de Maio (n.º 182) da Executive Digest.







