Leroy Merlin: Medir para transformar

Na Leroy Merlin, os critérios ESG estão integrados nas decisões de negócio, da oferta de produtos à economia circular, através de indicadores que medem o impacto ambiental, social e económico da actividade.

Executive Digest

Num sector responsável por uma parte significativa das emissões globais de carbono, a sustentabilidade assume um papel cada vez mais relevante na definição das estratégias empresariais. Na LEROY MERLIN Portugal, os critérios ESG são encarados como um factor de transformação do negócio, influenciando a oferta de produtos, a relação com fornecedores, a gestão das pessoas e os objectivos de crescimento.

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João Lavos, director de Impacto Positivo e Sustentabilidade da LEROY MERLIN, explica como a empresa está a integrar estes princípios no dia-a-dia da operação e quais os desafios que marcam a agenda ESG do sector da casa, construção e renovação.

Os critérios ESG têm vindo a assumir um peso cada vez mais estratégico nas empresas. De que forma esses princípios influenciam actualmente as decisões da LEROY MERLIN em Portugal?

Os critérios ESG influenciam estrategicamente a LEROY MERLIN Portugal, tornando a sustentabilidade um pilar central na geração de valor económico, humano e ambiental. O foco reside na tripla performance – uma visão integrada de criação de valor que coordena de forma conjunta as vertentes humana, económica e ambiental, maximizando o desempenho de cada uma e o seu impacto global.

A empresa fala frequentemente na sua estratégia de “Impacto Positivo”. Como é que esse compromisso se traduz no dia a dia das operações e da relação com os clientes?

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Esta integração baseia-se em 2 eixos. O 1º é a evolução da cultura e envolvimento organizacional, monitorizado pelo ADEO Positive Index (API) – 12 indicadores ESG diários associados à acção Valadeo para ligar a performance corporativa a impactos socioambientais. O 2º é a evolução do modelo de negócio, medido por ferramentas como o EBITAC (EBIT after carbon), que integra o custo do CO2 nos resultados financeiros para orientar decisões estratégicas de descarbonização. Para o cliente, estes eixos reflectem-se em escolhas conscientes através do Home Index (que detalha o impacto ecológico e social dos produtos) e no acesso a soluções de eficiência energética, reduzindo o impacto ambiental do lar enquanto poupam no orçamento familiar.

O sector da casa, construção e renovação tem um impacto relevante ao nível ambiental. Que papel acreditam que a LEROY MERLIN pode desempenhar na promoção de um consumo mais responsável e de habitações mais sustentáveis?

O sector da casa, construção e renovação tem, de facto, um impacto ambiental significativo, sendo responsável por quase 40% da pegada de carbono mundial. Na prática, a LEROY MERLIN capacita os clientes para escolhas conscientes com o Home Index. Actualmente, 72% das vendas são de produtos “mais positivos” (score A, B ou C), com a meta de chegar a 80% até 2027. Em paralelo, a empresa impulsiona negócios circulares – como reparação, reutilização e aluguer de ferramentas – que aliam a poupança familiar à acção climática. A marca transforma ainda a sua cadeia de valor ao exigir o alinhamento com o Código de Compras Responsáveis, já assinado por 96% dos seus fornecedores.

Que iniciativas ligadas à melhoria sustentável do habitat e à economia circular destacariam como mais transformadoras nos últimos anos?

Nas iniciativas mais transformadoras ligadas à melhoria sustentável do habitat e à economia circular destacamos o Home Index, uma metodologia pioneira que avalia o impacto ambiental e social dos produtos, permitindo aos clientes fazer escolhas mais conscientes. Entre eles, os serviços de reparação que estão agora presentes em três lojas, o aluguer de ferramentas para clientes particulares e profissionais, disponível já em 14 lojas e recentemente, destacamos o espaço “Quase Perfeitos” para a venda de produtos com pequenos defeitos, que em 2026 chegará a 19 lojas do país.

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A LEROY MERLIN tem vindo a apostar em soluções de economia circular, como reparação, reutilização ou aluguer de ferramentas. Que impacto têm tido estas soluções na estratégia do negócio?

A economia circular é um dos nossos pilares estratégicos, alavancando a performance com crescimentos anuais superiores ao resto da actividade. O projecto “Quase Perfeitos”, focado na venda de artigos com pequenos defeitos, converte quebras em valor económico, ambiental e social, com a ambição de chegar a 100% das lojas GSB em 2026. Na reparação, destacam-se a abertura da terceira oficina em Alfragide e o piloto de reparação express de torneiras em 2 horas. Em 2025, a empresa liderou o grupo ADEO com 85,6% de taxa de sucesso na reparação de Marcas Próprias. Adicionalmente, o aluguer de ferramentas expandiu- -se para 14 lojas GSB e Compact, promovendo maior utilização e menor consumo de recursos face à compra convencional.

Que indicadores ou métricas ESG são actualmente prioritários para medir o desempenho e a evolução da LEROY MERLIN?

O grupo Adeo criou em 2021 o ADEO Positive Index (API), composto por doze indicadores ESG (seis sociais e seis ambientais) que quantificam a sustentabilidade e influenciam a valorização da acção Valadeo. No pilar social, a segurança é sempre a prioridade máxima: em 2025, o índice de frequência de acidentes de trabalho atingiu o mínimo histórico de 6,2 (objectivo é cinco em 2028). Já a satisfação dos colaboradores (e- -NPS) registou um recorde de 61 pontos em 2025 (+22% vs 2024). No pilar ambiental, o foco é reduzir a pegada de carbono em 35% face a 2021. O produto representa 93% desta pegada, desafiando a meta de redução média de 5%/ano; ainda assim, a pegada global diminuiu 2% (2025 vs. 2021), mesmo com um crescimento de 27% no volume de vendas. Com um desempenho consistente, a LEROY MERLIN Portugal atingiu 10 dos 13 indicadores do API em 2024 e 2025 (na altura eram 13), e podemos orgulhosamente dizer que estamos a fazer um percurso que nos torna referência em Portugal e na Europa.

Como é feita a integração dos princípios de sustentabilidade ao longo da cadeia de valor, nomeadamente na relação com fornecedores, parceiros e produtos disponibilizados ao consumidor?

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A integração com fornecedores e parceiros é rigorosa e colaborativa, baseada no alinhamento com o Código de Compras Responsáveis, já assinado por 96% deles. Este compromisso é essencial para evoluir a oferta de produtos e avançar na descarbonização da cadeia de valor. Além disso, este trabalho conjunto permitiu co-construir a metodologia Home Index – a ferramenta central cujos dados são disponibilizados nas lojas para apoiar decisões de compra mais conscientes por parte dos clientes.

O consumidor está hoje mais atento ao impacto ambiental e social das suas escolhas. De que forma a LEROY MERLIN procura responder a esta mudança de comportamento?

Para responder ao consumidor actual, cada vez mais consciente e atento à sustentabilidade e ética, criámos uma metodologia inovadora de avaliação para os produtos da Casa, promovendo escolhas transparentes e informadas. O seu desenvolvimento envolveu um ecossistema internacional de mais de cinquenta fornecedores e peritos em ecodesign com base em critérios científicos. Alinhada com as normas ISO 14020 e validada independentemente pela PwC, a metodologia contou ainda com a consulta de várias entidades governamentais e não-governamentais (como ADENE, APA, DGC, APED e DECO) para enriquecer a metodologia e a forma de comunicar.

A empresa tem desenvolvido várias iniciativas ligadas à inclusão e diversidade. Que medidas concretas têm sido adoptadas para promover uma cultura mais inclusiva dentro da organização?

Sob a cultura “Human First”, a LEROY MERLIN Portugal centra a sua estratégia nas pessoas através de medidas concretas, como a sua Política de Diversidade e Inclusão e a assinatura da Carta Portuguesa para a Diversidade. A empresa actua no recrutamento inclusivo, em estudos de igualdade salarial (gender/equal pay gap) e na formação de líderes para mitigar vieses inconscientes, recorrendo à calibração de talento para assegurar carreiras mais justas. Na diversidade de género, alcançou 36,5% de mulheres em cargos de liderança estratégica em 2025 (+1,3 p.p. vs. 2024), fruto de iniciativas direccionadas como o programa BoostHer (focado no alto potencial em Operações), rumo à meta de 40% de liderança feminina até 2028.

No plano social, que impacto pretende a LEROY MERLIN gerar junto das comunidades onde está presente? Que projectos ou parcerias comunitárias têm tido maior relevância?

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A LEROY MERLIN Portugal actua como agente de transformação para promover uma habitação digna, sustentável e acessível. O Programa ReCria, pioneiro como ecossistema de voluntariado corporativo em Portugal e na Europa, destaca- -se ao mobilizar colaboradores, a sociedade civil e parceiros (como a Just a Change) na reabilitação de lares vulneráveis e instituições. Em paralelo, a marca colabora com a Entrajuda na doação de materiais, impulsiona o “Habitat de Natal” para renovar IPSS, e promove a “CleanUp Week”, que mobilizou voluntários na recolha de 11,35 toneladas de resíduos em espaços naturais e urbanos em 2025.

Quais são os maiores desafios ESG para o sector do retalho especializado em casa e construção agora e para os próximos anos?

No retalho da casa e construção, os desafios ESG centram-se no forte impacto do sector, responsável por quase 40% da pegada de carbono mundial. Este facto exige uma evolução do modelo de negócio, especialmente na descarbonização dos produtos, que constituem a maioria da pegada de carbono das empresas. A transição da economia linear para a circular é um desafio sistémico urgente, dado que a taxa de reutilização de materiais é de apenas 9%, aproximadamente. Socialmente, a atracção e retenção de talento depende de propósitos sustentáveis que conectem com as novas gerações. Por fim, em governança, o sector enfrenta uma crescente pressão regulatória (como a directiva CSRD) e riscos reequacionais associados à falta de progresso nesta agenda.

Que metas ou compromissos gostaria de ver a LEROY MERLIN atingir até ao final desta década no âmbito ambiental, social e de governance?

A LEROY MERLIN Portugal definiu metas ESG ambiciosas. No pilar ambiental, reduzirá a pegada de carbono em 50% até 2035 (vs. 2021), prevendo 80% de vendas de “Produtos + Positivos” (Home Index A, B ou C) até 2027 e a descarbonização de edifícios em 50% até 2030 (com 100% das lojas próprias em autoconsumo solar). Na economia circular, quer triplicar as vendas até 2028 (vs. 2025), expandindo o projecto “Quase Perfeitos” a 100% das grandes lojas em 2026, a par de serviços de reparação e aluguer. No plano social, visa 40% de mulheres na liderança estratégica até 2028 e, via Programa ReCria (até 2027), projecta 2 mil dias de voluntariado no “Habitat Digno” para reabilitar mais de 100 casas/ instituições, beneficiando mais de 5 mil pessoas com 400 mil euros e mais de 20 parceiros. Na governança, a prioridade é integrar o ADEO Positive Index (API) na gestão diária e remuneração, garantindo 100% dos fornecedores alinhados com o Código de Compras Responsáveis.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “ESG”, publicado na edição de Junho (n.º 243) da Executive Digest.

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