Há uma famosa torre italiana que está cada vez mais inclinada e está a deixar as autoridades locais a beira de um ‘ataque de nervos’. Não, não falamos da Torre de Pisa, mas sim da Torre Garisenda em Bolonha. Esta construção está a apresentar dinâmicas de movimento que estão a levantar preocupação, já que se teme que possa cair para cima de outra torre vizinha, a Asinelli. As duas edificações são ‘as duas torres’, que constituem um dos símbolos da cidade de Bolonha.
Devido à maior inclinação da Torre Garisenda o autarca local já determinou o encerramento da praça central da cidade italiana, fecho que se deverá manter durante muitos antes já que será preciso até 10 anos para que a solução surja.
De acordo com o New York Times, investigações recentes apuraram que a torre, que tem uma inclinação de quatro graus, tem apresentado vestígios de uma rotação inesperada na inclinação, para além de outros movimentos, que são impercetíveis ao olho humano mas que importa serem estudados, a bem da segurança de todos.
“Não é que a torre esteja a desabar ou colapsar. Estamos a acompanhar isso desde 2018, como se fosse um paciente internado num hospital. E sabemos que precisa de ser protegida e restaurada, pelo que começámos imediatamente”, indica o presidente da Câmara de Bolonha, Matteo Lepore, em entrevista.
Com efeito, autoridades locais e especialistas acompanham a estrutura há vários anos, com censores acústicos fibras óticas. pêndulos, GPS e sistemas de monitorização dos lençóis freáticos que correm debaixo da torre.
Desde 1990 que vários anéis de ferro têm sido usados para reforçar o topo da construção, feita de tijolos vermelhos bolonheses, sendo que ainda há dois anos a base da torre foi reforçada com estas estruturas, de forma a evitar fissuras na frágil pedra de selenite que compõe a Garisenda.
A construção deste monumento começou em 1100, mas logo depois o solo e fundações começaram a afundar-se no solo, devido a um suposto erro no planeamento. Em 1300 a altura da torre viria a ser encurtada, devido à sua inclinação e as receios de que estava a cair. Assustou até Dante Alighieri, que no primeiro volume da ‘Divina Comédia’ comparou a torre ao gigante Antaeus.
“Todos concordam que a base precisa de ser reforçada, devido à sua fragilidade histórica e devido às recentes preocupações levantadas pelos dados recolhidos”, indica Cleto Carlini, vereador responsável pelas obras públicas na Câmara de Bolonha.
A forma como o fazer é que tem sido um grande desafio. Já houve planos para levantar pilares com cabos de aço para suportar a torre, mas acabaram no lixo por receio de que a instalação dos pilares afetasse a estabilidade da vizinha Torre Asinelli, a poucos metros da Garisenda.
Também se pensou injetar um tipo especial de cimento na base, para preencher as fissuras que surgiram nos últimos séculos, mas o projeto não avançou.
Desta vez, já com a área da praça central vedada, o plano passará por construir uma espécie de barreiras ao redor da base da torre. Depois, a construção com quase 50 metros de altura (48m) vai ser envolta numa espécie de ‘caixa protetora’, até que se decida qual será a estratégia de restauração do monumento.
Esta estrutura de segurança será erguida em seis meses, mas a partir daí estão todas as opções em aberto: até ‘desmontar’ parte da torre e voltar a construí-la de forma mais sólida e estável.
Segundo os responsáveis locais a recuperação da Torre Garisenda levará “muitos anos, até uma década” a estar concluída. As obras que já arrancaram levaram a cortes de trânsito e estão a ser aproveitadas pelo município para “redesenhar a mobilidade na cidade e torná-la mais exclusiva para pedestres”.














