A campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais arranca oficialmente esta quarta-feira, um dia depois de terem sido tornados definitivos os resultados da primeira volta. O apuramento geral ficou concluído na terça-feira, com a publicação e afixação do edital do Tribunal Constitucional, condição legal que permite o início formal da campanha no dia seguinte.
De acordo com os resultados oficiais, António José Seguro venceu a primeira volta com 1.755.563 votos, correspondentes a 31,11%, seguido de André Ventura, que obteve 1.327.021 votos, ou 23,52%, garantindo ambos a passagem ao segundo turno. A campanha oficial prolonga-se até às 23h59 de 6 de fevereiro, estando a segunda volta das eleições marcada para 8 de fevereiro. O voto antecipado em mobilidade realiza-se a 1 de fevereiro.
Segundo o edital do Tribunal Constitucional, estavam inscritos 11.009.803 eleitores, dos quais votaram 5.241.267, o que se traduz numa abstenção de 47,61%. As percentagens atribuídas a cada candidato mantiveram-se inalteradas face ao apuramento provisório, embora se tenham registado pequenas variações no número absoluto de votos.
António José Seguro reforçou a sua votação em 201 votos relativamente à contagem preliminar, enquanto André Ventura perdeu 79 votos. João Cotrim Figueiredo terminou em terceiro lugar com 903.057 votos (16%), mais 144 votos do que no apuramento provisório. Henrique Gouveia e Melo ficou em quarto, com 695.377 votos (12,32%), registando menos 133 votos.
Luís Marques Mendes obteve 637.442 votos (11,3%), com um acréscimo de 93 votos. Catarina Martins somou 116.407 votos (2,06%), mais seis votos, e Manuel João Vieira alcançou 60.927 votos (1,08%), mais sete. Jorge Pinto perdeu dois votos, André Pestana perdeu um e Humberto Correia registou uma redução de 151 votos. Os votos em branco totalizaram 61.275, menos 38, enquanto os votos nulos aumentaram em 821, fixando-se em 64.565.
Seguro soma apoios na véspera do arranque oficial da campanha
No dia que antecedeu o início formal da campanha, António José Seguro entra na corrida decisiva com um reforço significativo de apoios políticos, tanto à esquerda como à direita. O mais recente veio do antigo líder do CDS-PP e ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas, que anunciou publicamente o seu voto no candidato socialista.
No seu espaço de comentário semanal na TVI, na noite de domingo, Paulo Portas afirmou que votará no “candidato moderado”, explicando que sempre soube “em quem nunca votaria para presidente da República”. Na sua perspetiva, compete ao chefe de Estado “unir o país” e “representar o melhor da comunidade”, qualidades que disse não reconhecer em André Ventura, líder do Chega.
“Não me parece de todo que o outro candidato, aquele senhor que grita muito, fosse para a Presidência da República unir o que quer que fosse, porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outros, dividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas, e isso é o contrário da função presidencial”, criticou.
Apesar de admitir “divergências doutrinárias” com António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, Paulo Portas considerou que as diferenças em relação a André Ventura “são de outra natureza” e dizem respeito ao humanismo e à forma de encarar o ser humano. “Para aqueles que dizem que isto é uma eleição entre a direita e a esquerda, isso é um grande exagero. É uma eleição entre um político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que está à direita da direita e que se junta ao extremismo que está na moda lá fora”, afirmou.
Com esta posição, Paulo Portas afasta-se da linha oficial do CDS-PP, que decidiu não apoiar nenhum dos candidatos na segunda volta, sublinhando que o partido “combate o socialismo” e “rejeita o populismo”. Ainda assim, o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, rejeitou no parlamento que André Ventura possa ser classificado como “candidato antidemocrata”.
Apoios transversais reforçam candidatura de Seguro
António José Seguro conta com o apoio declarado da esquerda, que se mobilizou para “derrotar a extrema-direita”, como afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza. Paralelamente, o candidato tem vindo a somar apoios relevantes no espaço político da direita.
Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP na primeira volta e quinto classificado, anunciou igualmente que votará em Seguro, defendendo que é “o único candidato” que se aproxima dos valores que sempre representou.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, optou por não tomar posição, reafirmando que o PSD não estará envolvido na campanha da segunda volta. “O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação e nem é suposto fazê-lo”, declarou.
A Iniciativa Liberal também não formalizou qualquer apoio, embora a líder do partido tenha admitido que votará em António José Seguro, ainda que “sem entusiasmo”.
No último sábado, mais de duas centenas de personalidades da área política não socialista subscreveram uma carta aberta de apoio a Seguro, elogiando a sua moderação e afirmando que André Ventura não os representa. Entre os signatários encontram-se Adolfo Mesquita Nunes, António Capucho, Miguel Poiares Maduro, Arlindo Cunha, Filipa Roseta, José Pacheco Pereira, Francisca Nazareth, José Diogo Quintela, Miguel Esteves Cardoso, Henrique Raposo, Pedro Mexia, Afonso Reis Cabral, Rita Ferro e Francisco José Viegas.
A carta, que já ultrapassa as 750 assinaturas e continua a recolher apoios online, rejeita a leitura de André Ventura, que encara o sufrágio como um confronto entre um “bloco de esquerdas” e um “bloco de direitas”, por si definido como “não-socialista”.
Com o arranque oficial da campanha esta quarta-feira, António José Seguro e André Ventura entram agora numa fase decisiva da corrida presidencial, que culminará na escolha do próximo Presidente da República no próximo dia 8 de fevereiro.













