O Presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, desloca-se hoje a Moscovo para encontros oficiais com o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a televisão estatal síria. Esta visita surge num contexto de reconstrução do país e de ajuste das relações bilaterais após a queda do regime de Bashar al-Assad em finais de 2024.
O encontro marca mais um nível de cooperação de alto grau entre Damasco e Moscovo desde que Sharaa assumiu o poder, liderando a coligação Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que derrubou Assad, então refugiado na Rússia.
O Presidente sírio já se reuniu com Putin em Moscovo a 15 de outubro de 2025, poucos meses após a mudança de regime. Essa reunião inicial foi interpretada como um movimento pragmático de continuidade, apesar dos anos de apoio militar russo a Assad, incluindo ataques aéreos contra grupos de oposição. Sharaa comprometeu-se a respeitar os acordos existentes entre Damasco e Moscovo, permitindo à Rússia manter o acesso às suas bases estratégicas, nomeadamente a base naval de Tartus e a base aérea de Hmeimim, situadas na costa mediterrânica. Estas instalações são essenciais para a projeção de poder de Moscovo no Médio Oriente, no Mediterrâneo e no apoio logístico a África.
Putin, por seu lado, destacou as relações “amistosas” de longa data e afirmou estar disponível para expandir a cooperação em energia, reconstrução de infraestruturas e projetos económicos, no contexto da recuperação pós-conflito da Síria.
O encontro de hoje ocorre num momento crítico, em que a Síria continua a lidar com dinâmicas internas e regionais complexas. O governo de Sharaa tem promovido esforços de reconciliação, incluindo um recente cessar-fogo com as Forças Democráticas Sírias (SDF) no nordeste do país, e tem mantido contacto diplomático com potências regionais, como Arábia Saudita, Qatar, Turquia e França.
A Rússia, por sua vez, tem ajustado a sua presença militar, evacuando recentemente uma base mais pequena em Qamishli, a pedido de Damasco, mas mantendo os seus interesses estratégicos essenciais.
Analistas preveem que as discussões de Moscovo se concentrem em três eixos principais: cooperação de segurança e militar, reconstrução económica e estabilidade regional. A visita reforça a estratégia de Sharaa de consolidar legitimidade internacional e reconstruir instituições estatais após o período de transição.
Sharaa tem procurado redefinir as relações com Moscovo em termos de “soberania, integridade territorial e estabilidade de segurança”, conforme afirmou anteriormente. Para Putin, manter o envolvimento com Damasco representa uma forma de preservar a influência da Rússia numa região volátil, contrariar esforços de isolamento ocidental e demonstrar fiabilidade como parceiro, mesmo após a mudança de regime.













