Irão vai permitir mulheres nos estádios de futebol

Há dois dias, uma delegação da FIFA esteve no Irão para reunir com responsáveis governamentais. «As conversações foram bastantes produtivas», garantiram.

Ana Rita Rebelo

O Irão cedeu à pressão internacional. O presente da FiFA, Gianni Infantino, anunciou, neste domingo, que o Irão vai autorizar a abertura das portas dos recintos de futebol ao público feminino a partir de Outubro. «Asseguraram-nos, que a partir do próximo jogo internacional do Irão, as mulheres serão autorizadas a entrar nos estádios de futebol», disse Infantino, em Milão, numa conferência sobre futebol feminino. 

Há dois dias, uma delegação do organismo que gere o futebol a nível mundial esteve no Irão para reunir com responsáveis governamentais, tendo garantido que «as conversações foram bastante produtivas». O objectivo era de que no jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2022 a disputar entre o Irão e o Cambodja, no próximo dia 10 de Outubro, estivessem mulheres nas bancadas.

Em Outubro de 2018, um pequeno grupo de mulheres teve permissão para assistir a um jogo de futebol masculino num estádio iraniano, pela primeira vez em quase quatro décadas. Mas, menos de um ano depois, continuam a ser barradas, o que motivou Infantino a enviar uma carta ao presidente da Federação de Futebol da República Islâmica do Irão, Medhi Taj, onde escreveu que a FIFA não está «de acordo com os compromissos assumidos pelo presidente Rouhani em Março de 2018».

Recorde-se que, há poucos dias, a jovem iraniana Sahar Khodayari, de 29 anos, imolou-se em frente a um tribunal de Teerão, tendo vindo a falecer uma semana depois. Khodayari disfarçou-se de homem para entrar num estádio​, mas foi descoberta e condenada a seis meses de prisão. Este caso suscitou uma chuva de críticas nas redes sociais. Futebolistas de várias equipas femininas europeias usaram braçadeiras azuis, a cor da equipa favorita de Sahar – o Esteqlal -, durante os jogos em memória da iraniana e várias figuras mediáticas pediram à FIFA que banisse o Irão das competições internacionais e aos adeptos que não assistissem aos jogos.

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