Irão avisa que doutrina nuclear não vai sofrer mudanças e propõe novo protocolo para o Estreito de Ormuz

O Irão reiterou esta quarta-feira que a sua postura contra o desenvolvimento de armas nucleares não deverá sofrer alterações significativas.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Irão reiterou esta quarta-feira que a sua postura contra o desenvolvimento de armas nucleares não deverá sofrer alterações significativas. O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, em declarações à Al Jazeera, reproduzidas pela imprensa iraniana. Araqchi sublinhou que o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, ainda não se pronunciou publicamente sobre a questão nuclear.

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O antigo líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, que morreu no início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão, havia emitido uma fatwa nos anos 2000 proibindo a criação de armas de destruição massiva. Araqchi explicou que a validade de uma fatwa depende do jurista islâmico que a emite, pelo que ainda não é possível avaliar a interpretação jurisprudencial ou política do novo líder supremo.

Novo protocolo para o Estreito de Ormuz
O ministro iraniano defendeu que, depois do conflito, os países que fazem fronteira com o Golfo Pérsico devem estabelecer um novo protocolo para o Estreito de Ormuz. O objetivo é garantir a passagem segura de navios, de acordo com os interesses do Irão e da região. Este estreito é vital para a energia global, transportando cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito mundial. Durante o conflito, o Irão bloqueou totalmente a passagem, afirmando que não permitiria que nem uma gota de petróleo chegasse aos EUA, Israel ou aos seus aliados.

O parlamento iraniano reforçou esta posição, indicando que a situação no estreito não regressará às condições anteriores à guerra. Os Estados Unidos procuraram formar uma coalizão naval para escoltar navios na região, mas a maioria dos aliados da NATO mostrou relutância em envolver-se em operações militares contra o Irão. A França, por exemplo, condicionou qualquer participação a um cessar-fogo e a negociações prévias com Teerão. Araqchi acrescentou que um fim do conflito só será aceitável se a guerra terminar de forma permanente em toda a região e o Irão receber compensações pelos danos sofridos.

Ataques perto de áreas urbanas
Questionado sobre os ataques iranianos que afetaram não só bases militares norte-americanas, mas também zonas residenciais e comerciais, Araqchi justificou que isso ocorreu devido à presença de tropas americanas em áreas urbanas. “Sempre que havia forças norte-americanas concentradas ou instalações pertencentes a eles, essas áreas foram alvo. É possível que algumas estivessem próximas de zonas urbanas”, afirmou o ministro.

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Araqchi reconheceu que países vizinhos ficaram prejudicados e que civis sofreram danos ou transtornos devido aos ataques, mas insistiu que a responsabilidade é exclusivamente dos Estados Unidos, por terem iniciado o conflito em 28 de fevereiro.

As declarações do ministro indicam que, mesmo com um cessar-fogo ou acordo de paz, a segurança do Golfo e das rotas energéticas continuará a depender de negociações complexas entre o Irão, os países da região e as potências ocidentais. O novo protocolo para o Estreito de Ormuz surge como uma tentativa de assegurar que futuras tensões não comprometam o trânsito de petróleo e gás liquefeito, essencial para a economia global.

A reafirmação da doutrina nuclear, combinada com a exigência de compensações e protocolos de segurança, mantém o Irão numa posição firme, enquanto deixa abertas as negociações diplomáticas e responsabiliza os Estados Unidos pelo início do conflito.

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