Governo brasileiro indignado com tarifa de 25% dos EUA ameaça reciprocidade

O Governo brasileiro manifestou hoje indignação com a decisão preliminar dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, classificando a medida como injustificada e politicamente motivada.

Executive Digest com Lusa

O Governo brasileiro manifestou hoje indignação com a decisão preliminar dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, classificando a medida como injustificada e politicamente motivada.


Em nota, o executivo criticou as conclusões divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da investigação aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.


Segundo o Governo, a investigação foi iniciada em julho de 2025 e estaria relacionada com as tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil, além de ter sido estimulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.


Na nota, o Palácio do Planalto menciona a recente viagem do senador e pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro a Washington e afirma que interesses eleitorais e familiares estariam a prejudicar os esforços diplomáticos realizados entre os dois países.


“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, acrescenta.

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O Palácio do Planalto também rejeitou as alegações que fundamentam a investigação e afirmou que “não existe justificativa económica” para a adoção de tarifas contra produtos brasileiros ou contra mecanismos nacionais de pagamento como o Pix.


O executivo destacou que os EUA acumulam superávit comercial com o Brasil há vários anos, com saldo favorável aos norte-americanos da ordem dos 424,5 mil milhões de dólares entre 2011 e 2025, o equivalente a 364,6 mil milhões de euros. 


Acrescenta que 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagamento de imposto de importação no ano passado.

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“Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão”, afirma, ao lembrar que a alíquota média efetivamente cobrada foi de 3,1%.


Brasília argumentou ainda que as medidas unilaterais adotadas por Washington têm provocado impactos negativos sobre a economia brasileira, afetando investimentos, empregos e rendimento.


O Governo observou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor nível da série histórica.


Apesar das críticas, o executivo informou que as negociações comerciais entre os dois países continuam em curso com o objetivo de alcançar uma solução antes da conclusão da investigação da USTR, prevista para 15 de julho.


O Governo afirmou que manterá o diálogo com o setor privado e procurará evitar a entrada em vigor das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.

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Realça que o Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Económica, aprovada pelo Congresso Nacional, caso considere que as medidas adotadas por Washington violam normas do comércio internacional.


Por fim, o Governo declarou esperar que as recomendações preliminares não sejam transformadas em tarifas definitivas, mas garantiu que adotará medidas para proteger a economia brasileira caso as restrições sejam efetivamente implementadas.


O Palácio do Planalto termina dizendo: “É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro”.


Antes, ao comentar a decisão dos EUA, Lula da Silva chamou Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria” e de “imbecil”. 


Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou hoje, em entrevista, que não pediu “expressamente” para Trump taxar o Brasil durante a reunião que tiveram na Casa Branca, na semana passada.  


Lula, por sua vez, recuperou a publicação de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, no ano passado, em que celebrou o primeiro “tarifaço” imposto por Trump ao Brasil, e acusou o adversário de mentiroso.

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