A Ucrânia lançou um ataque contra infraestruturas em São Petersburgo durante a madrugada desta quarta-feira, poucas horas antes do início do Fórum Económico Internacional da cidade, um dos eventos mais importantes para Vladimir Putin projetar influência e mostrar que a Rússia não está isolada, noticiou o ‘POLITICO’.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que foram atingidas “instalações importantes em território russo”, incluindo o Terminal Petrolífero de São Petersburgo. Segundo Kiev, a distância entre o alvo e a Ucrânia é de cerca de 1.100 quilómetros. Zelensky acrescentou que também foram atingidos alvos militares na base de Kronstadt.
O ataque noturno foi uma operação conjunta do Serviço de Segurança da Ucrânia, das Forças de Sistemas Não Tripulados, das Forças de Operações Especiais, dos serviços de informações militares ucranianos e da Guarda Estatal de Fronteiras.
Ataque no dia em que Putin queria mostrar força
O Fórum Económico Internacional de São Petersburgo arrancou esta quarta-feira e é visto como uma montra política e económica para o Kremlin. O evento reúne autoridades russas, representantes de países do Golfo e empresários de países como Brasil e Alemanha.
Para Putin, o encontro serve para tentar demonstrar capacidade de resistência económica, num momento em que a Rússia continua sob pressão internacional devido à guerra na Ucrânia.
A ofensiva ucraniana, lançada precisamente no dia de abertura do fórum, teve por isso um forte simbolismo político: Kiev mostrou capacidade de atingir infraestruturas no interior do território russo, mesmo junto a uma cidade associada ao poder e à projeção internacional do Kremlin.
Autoridades russas confirmam ataque com drones
As autoridades russas confirmaram o ataque, embora não tenham admitido que o terminal petrolífero tenha sido atingido. O presidente da Câmara de São Petersburgo, Aleksandr Beglov, afirmou que infraestruturas nos distritos de Kronstadt, Kirovsky e Krasnoselskiy foram atacadas por drones durante a madrugada.
Segundo Beglov, vários objetos ficaram danificados e várias pessoas sofreram ferimentos, mas não houve vítimas mortais.
O ‘POLITICO’ escreve que investigadores locais de fontes abertas geolocalizaram vídeos de explosões na zona do porto, onde se encontra o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, considerado o maior do noroeste da Rússia.
Absolutely embarrassing morning for Russian President Vladimir Putin. As Ukrainian one-way attack drones fly nearly unimpeded over St. Petersburg – over 500 miles from Ukraine – several slamming into a major oil terminal in the city, starting massive fires and creating pillars of… pic.twitter.com/wenz5gIu6f
— OSINTdefender (@sentdefender) June 3, 2026
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Campanha contra o setor petrolífero russo
O ataque integra a campanha ucraniana de longo alcance contra infraestruturas energéticas russas. Na semana passada, Zelensky afirmou que os ataques contra refinarias russas já tinham colocado fora de funcionamento 40% da capacidade de refinação de petróleo da Rússia.
Estes ataques procuram atingir uma das bases económicas da máquina de guerra russa: o setor energético. Ao atacar refinarias, terminais e infraestruturas logísticas, Kiev tenta reduzir receitas, criar perturbações no abastecimento e aumentar a pressão interna sobre Moscovo.
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Baiba Braže, afirmou esta quarta-feira, no Riga Stratcom Dialogue, que a Rússia “não está bem”, sublinhando que grandes ataques com drones estavam a acontecer precisamente quando o Fórum de São Petersburgo se preparava para abrir. A responsável referiu ainda que havia fumo a subir após mais um ataque a uma refinaria e que a economia russa também atravessava dificuldades.
Putin discursa esta quinta-feira
Vladimir Putin deverá discursar no fórum esta quinta-feira. A intervenção ganha agora um contexto mais sensível, depois de a Ucrânia ter conseguido projetar a guerra até São Petersburgo, cidade onde o Kremlin procurava concentrar atenções na economia, nos investimentos e nas parcerias internacionais.
O ataque não altera apenas o ambiente de segurança em torno do evento. Também enfraquece a narrativa de normalidade que Moscovo tenta construir em torno da economia russa, ao mostrar que infraestruturas estratégicas continuam vulneráveis a operações ucranianas de longo alcance.




