Governo aprova diplomas para incentivar mecenato cultural

O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, “um projeto de proposta de lei para o mecenato na área da Cultura e novos instrumentos de apoio privado ao financiamento” no setor.

Executive Digest com Lusa

O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, “um projeto de proposta de lei para o mecenato na área da Cultura e novos instrumentos de apoio privado ao financiamento” no setor.

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Na conferência de imprensa no final da última reunião do Conselho de Ministros do atual Governo, o primeiro-ministro afirmou, sem mais detalhes, que foi aprovado “um projeto de proposta de lei para o mecenato na área da Cultura e novos instrumentos de apoio privado ao financiamento” no setor.

Na semana passada, o ministro da Cultura cessante, Pedro Adão e Silva, disse publicamente que deixou concluídos diplomas sobre o mecenato cultural, depois de ter procedido à reorganização orgânica da área do Património, e que espera “que a nova formação do parlamento os leve à avante”.

Pedro Adão e Silva falava na passada quinta-feira, 20 de março, durante a sessão de assinatura de um memorando entre o Estado português e a Fundação Livraria Lello, que adquiriu o quadro “Descida da Cruz” de Domingos Sequeira (1768-1837).

“Houve um processo de auscultação a um conjunto vasto de entidades sobre o que era necessário mudar no sistema de incentivos para criar um ambiente mais favorável da participação dos privados na cultura, que foi concluído, e concluímos também os diplomas legais, que materializam esta transformação”, anunciou.

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“Antes de terminar o meu mandato vou devolver os diplomas a todas as entidades que participaram neste processo, na expectativa que haja na sociedade portuguesa a possibilidade de os materializar num futuro próximo”, disse.

De acordo com a tutela, os diplomas preveem “a simplificação dos procedimentos no mecenato, tornar mais transparente os respetivos mecanismos, levar mais longe os incentivos e inovar mecanismos em linha com as melhores práticas internacionais nesta matéria, por exemplo, criando um mecanismo que permita a capitalização de um fundo para a aquisição de peças para os museus e monumentos nacionais, para obter mais recursos financeiros, mobilizando os privados”.

Em 2021, o Governo já tinha aprovado novas regras aplicáveis ao mecenato cultural, em que as entidades privadas com fins lucrativos passam a ser elegíveis para receber donativos.

Ou seja, a título de exemplo, empresas que organizam festivais culturais, galerias ou editoras podem pedir um reconhecimento de interesse cultural das suas atividades e assim tornarem-se elegíveis para receber um donativo.

Os seus mecenas podem ainda usufruir dos benefícios fiscais, consoante seja um mecenas individual ou empresarial e consoante o tipo de donativo, em dinheiro, espécie ou cedência de recursos humanos, por exemplo.

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Na semana passada, na mesma cerimónia em torno do quadro “Descida da Cruz”, de Domingos Sequeira, Pedro Adão e Silva lamentava o “atraso muito significativo” do país na área do mecenato cultural, apelando aos privados participarem na Cultura.

“São poucos os mecenas que tenho encontrado nestes dois anos [de mandato], e isso é um sintoma que nos deve preocupar a todos. O Estado e o Ministério da Cultura têm alguma autoridade para apelar a que mais privados se juntem a esta responsabilidade e a este esforço”, pediu.

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