Fidelidade: Sustentabilidade como eixo estratégico no sector segurador

A Fidelidade tem vindo a reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade, integrando práticas ambientais e sociais em operações, produtos e serviços.

Executive Digest
Novembro 20, 2025
12:00

A Fidelidade tem vindo a reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade, integrando práticas ambientais e sociais em operações, produtos e serviços.

A sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação reputacional e tornou-se um eixo estratégico para empresas de diferentes sectores. No sector segurador, a integração de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) é cada vez mais determinante para a gestão de riscos, a inovação de produtos e a relação com clientes e colaboradores. Em entrevista à Executive Digest, João Mestre, diretor de Sustentabilidade do Grupo Fidelidade, explica como o Grupo tem integrado a sustentabilidade no seu plano de negócio, os compromissos assumidos rumo à neutralidade carbónica e as iniciativas que envolvem colaboradores, clientes e a sociedade na transição para uma economia mais responsável e de baixo carbono.

A sustentabilidade passou de preocupação reputacional a eixo estratégico. Como foi integrada no plano de negócio e quais os compromissos assumidos?

Na Fidelidade, a sustentabilidade é um eixo estratégico que orienta decisões, desde investimentos até ao desenvolvimento de produtos e serviços. A actuação assenta em três pilares: papel activo na transição ecológica, relevância social com impacto na comunidade e exemplaridade económica. O Grupo assumiu ainda a meta de neutralidade carbónica: até 2040 nas operações, até 2050 nos investimentos e seguros, com objectivos intermédios para 2030 em linha com o Acordo de Paris.

A redução da pegada ambiental exige metas claras. Quais os objectivos da Fidelidade e como garantem a monitorização e transparência dos resultados?

A Fidelidade acredita que reduzir a pegada ambiental exige um trajecto claro e estruturado, por isso criou o Net Zero Transition Plan, que orienta as metas e compromissos do Grupo.

Como empresa financeira, o maior impacto não está nas operações próprias, mas sobretudo nas actividades de investimento e subscrição de seguros, onde também foram definidos objectivos de neutralidade carbónica. Este caminho envolve desafios, sobretudo por sermos uma empresa global: é necessário medir e compreender rigorosamente os impactos de todas as operações, trabalhando em conjunto com as várias geografias para ter uma visão global e integrada. A monitorização e transparência são asseguradas pela publicação anual de informação de sustentabilidade auditada, mesmo quando não havia obrigação legal.

Os edifícios corporativos e centros de operações consomem muita energia. Que medidas estão a ser aplicadas para reduzir esse impacto?

Embora não sejam a maior parte da pegada da Fidelidade, os edifícios e centros de operações estão a ser alvo de várias medidas. Em Portugal, a electricidade já é adquirida 100% de fontes renováveis. Está também prevista a mudança para uma nova sede, concebida com elevados padrões de eficiência ambiental e certificação LEED Platinum. Nos investimentos imobiliários, privilegiam-se activos com melhor desempenho sustentável, também certificados. Estas iniciativas demonstram que o Grupo trabalha de forma integrada para reduzir impactos, alinhando-se com os compromissos de descarbonização.

A mobilidade é crítica na descarbonização. Como a Fidelidade está a repensar a frota, deslocações de colaboradores e soluções de mobilidade urbana de baixo impacto?

A mobilidade sustentável é fundamental para a transição climática, e a Fidelidade tem actuado em várias frentes para reduzir o impacto ambiental das deslocações, sem comprometer a proximidade com clientes e equipas espalhadas pelo mundo. A abordagem assenta em dois eixos principais: a transição da frota automóvel, substituindo progressivamente veículos de combustão por eléctricos ou híbridos, promovendo uma frota mais ecológica; e a redução das deslocações profissionais, incentivando o uso de formatos digitais sempre que possível. A promoção da mobilidade sustentável envolve parcerias, como a colaboração no Peru com a Asociación para el Impulso de la Movilidad como Servicio, para soluções mais seguras e sustentáveis. Além disso, a Fidelidade incentiva os clientes a adoptarem comportamentos sustentáveis, por exemplo através do Fidelidade Drive, que promove uma condução responsável. Estas iniciativas reflectem o compromisso do Grupo com a mobilidade de baixo impacto, alinhada com os objectivos de descarbonização.

Como a Fidelidade equilibra o investimento tecnológico com a redução da sua pegada ambiental?

No sector segurador, a disrupção digital tem redefinido operações, gestão de riscos e relações com clientes. A tecnologia permite optimizar processos como subscrição de produtos, gestão de sinistros e tratamento de dados, reduzindo erros e aumentando eficiência e qualidade. A Fidelidade implementa soluções tecnológicas disruptivas para maior eficiência, personalização e segurança. A digitalização é também uma alavanca de sustentabilidade, ao reduzir consumo de papel, optimizar processos e diminuir deslocações, contribuindo directamente para a redução de emissões. Assim, a inovação tecnológica é equilibrada com a redução da pegada ambiental, garantindo que a transformação digital acompanha os objectivos de descarbonização do Grupo.

O sector segurador envolve muito papel e comunicação com clientes. Que passos estão a ser dados para reduzir o uso de papel e acelerar a transição para soluções digitais?

A digitalização é vista como uma alavanca de sustentabilidade, e a Fidelidade trabalha diariamente para tornar os processos cada vez mais digitais. Dois exemplos de inovação são a digitalização completa da participação de sinistros automóveis e do reembolso de despesas de saúde, ambos pela app MyFidelidade. Destaca-se ainda o GAMA, premiado na 9.ª edição dos Portugal Digital Awards, uma plataforma disruptiva que automatiza e simplifica a gestão de documentação e fluxos operacionais, redefinindo os processos de negócio do Grupo.

Como é que a Fidelidade sensibiliza, forma e mobiliza os colaboradores para práticas mais sustentáveis?

A sustentabilidade só é efectiva se integrada no dia-a-dia de todos os colaboradores. A Fidelidade conta com uma equipa dedicada a este tema e promove iniciativas como a Semana da Sustentabilidade, que envolve os colaboradores em desafios e oportunidades para agir de forma responsável. Todos recebem formação em sustentabilidade, garantindo conhecimento sólido sobre ESG e a estratégia do Grupo. Este ano foi lançado o Sustainability Leadership Programme, uma formação executiva para a Comissão Executiva e Directores em Portugal, promovendo liderança pelo exemplo e mobilizando a organização para práticas mais sustentáveis no trabalho diário.

A Fidelidade está envolvida em projectos conjuntos, nacionais ou internacionais, que reforcem o impacto das suas acções ambientais?

A Fidelidade participa em vários projectos para ampliar o impacto ambiental das suas acções. No Impact Center for Climate Change (ICCC), criado em 2024, são avaliados os impactos de eventos climáticos extremos nos portefólios de seguros, com implicações em produtos, pricing, underwriting e gestão de sinistros, promovendo maior resiliência. É também membro do Forum for Insurance Transition to Net-Zero (FIT), contribuindo para o primeiro “Guia global para planos de transição da indústria seguradora”. Em 2024, participou pelo segundo ano consecutivo na COP, reforçando o compromisso com mitigação e adaptação às alterações climáticas. Além disso, criou em 2023 o Fundo Florestas de Portugal, um fundo florestal de investimento imobiliário que alia valorização de capital à promoção de soluções de captura de carbono e gestão sustentável de florestas, mobilizando também outros investidores institucionais e contribuindo para a redução da frequência e severidade de incêndios.

Que indicadores e métricas a Fidelidade utiliza para avaliar os resultados das suas iniciativas ambientais e como comunica esses progressos?

A Fidelidade investe na monitorização e reporte dos compromissos ambientais, publicando há vários anos um Relatório de Gestão auditado. Desde 2024, cumpre os requisitos da CSRD, incluindo métricas detalhadas de emissões de carbono, apresentadas no Net Zero Transition Plan. É também avaliada por ratings ESG, como o Sustainalytics, onde ocupa a 7.ª posição global no sector segurador entre 300 seguradoras. Alguns compromissos, como os Principles for Responsible Investment (PRI), Net-Zero Asset Owner Alliance (NZAOA) e Principles for Sustainable Insurance (PSI), exigem monitorização e reporte contínuos. A comunicação aos stakeholders e à sociedade é feita através de relatórios anuais, outras comunicações e organismos internacionais, garantindo escrutínio externo e acompanhamento efectivo do progresso.

Quais são os maiores desafios da Fidelidade na redução do seu impacto ambiental?

A Fidelidade identifica dois grandes desafios na redução do impacto ambiental. O primeiro é compreender rigorosamente como os riscos climáticos afectam o negócio e tornar-se mais resiliente, o que inclui repensar produtos e serviços e apoiar clientes e comunidades. O segundo desafio é inf luenciar positivamente os clientes, através de uma abordagem pedagógica e colaborativa, incentivando-os a definir planos de transição, promovendo a adopção de práticas sustentáveis e monitorizando continuamente as emissões para ajustar políticas de subscrição e investimento. O Grupo vê o seu papel neste equilíbrio entre reforçar a resiliência do negócio e apoiar os clientes como central na transição para uma economia de baixo carbono.

Que papel desempenha a Fidelidade na criação de produtos e serviços que incentivem práticas responsáveis dos segurados?

A Fidelidade cria produtos que incentivam hábitos responsáveis. O Vitality recompensa estilos de vida saudáveis, e o MySavings promove poupança consciente e sustentável, incluindo investimentos em empresas com melhor desempenho ESG. Também apoia iniciativas de educação financeira, como o programa “Finanças para Todos”, desenvolvido com a Nova SBE e premiado nos Money Awareness and Inclusion Awards, que fornece ferramentas para decisões financeiras informadas. Estes exemplos mostram que é possível oferecer produtos de protecção e poupança que também promovem saúde, bem-estar e sustentabilidade social.

Quais são os próximos passos da Fidelidade no caminho para a neutralidade carbónica e qual a sua ambição ambiental?

A Fidelidade tem como objectivo ser net-zero até 2050. Como Grupo global, os ritmos e abordagens de descarbonização variam entre operações, mas o compromisso com as metas é firme. Reconhece-se que algumas tecnologias ainda não estão totalmente desenvolvidas, criando incerteza sobre o “como”, mas não sobre o resultado final. O Grupo mantém alinhamento com a ciência climática e compromissos internacionais, continuando a investir, inovar e colaborar para concretizar a ambição de ser verdadeiramente net-zero.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Redução da pegada ambiental”, publicado na edição de Outubro (n.º 235) da Executive Digest.

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