Luz azul no céu e aparelhos eletrónicos inutilizáveis: Ameaça nuclear de Putin envolve ataque eletromagnético, avisa especialista

As reiteradas ameaças de escalada de violência na guerra com a Ucrânia, feitas pela Rússia, deixaram o mundo em alerta, temendo que Putin se estivesse a referir ao uso de armas nucleares no conflito. No entanto, avisam especialistas e ex-oficiais militares norte-americanos, há outra arma que o presidente russo poderá estar a considerar na sua ameaça: um ataque tático com impulso eletromagnético, conhecido como EMP.

Pedro Zagacho Gonçalves

As reiteradas ameaças de escalada de violência na guerra com a Ucrânia, feitas pela Rússia, deixaram o mundo em alerta, temendo que Putin se estivesse a referir ao uso de armas nucleares no conflito. No entanto, avisam especialistas e ex-oficiais militares norte-americanos, há outra arma que o presidente russo poderá estar a considerar na sua ameaça: um ataque tático com impulso eletromagnético, conhecido como EMP.

Estas armas são desenhadas para criarem uma forte onda de energia, que origina curto-circuitos em todos os aparelhos elétricos, como computadores, geradores, satélites, rádios, radares e até semáforos. Se a Rússia recorresse a este ataque, poderia desativar praticamente todas as infraestruturas civis e militares essenciais ucranianas e, com um só golpe, deicar toda a Ucrânia sem luz, aquecimento, comunicações ou transportes.

Recorda Roger Pardo-Maurer, veterano das Forças Armadas Especiais e ex-secretário-assistente adjunto da Defesa dos EUA, recorda que os canais estatais russos têm demonstrado como é que um ataque eletromagnético deste tipo no Mar Báltico. “Pode mesmo ser o caso de Putin e os seus generais terem-nos estado a avisar desta possibilidade durante todas as intervenções, com as ameaças enigmáticas de lanças ‘medidas técnico-militares’ não especificadas”, explica o ex-militar.

Uma arma nuclear tática causaria uma enorme explosão, mas não teria os efeitos imediatos esperados de travar as reconquistas ucranianas em todas as frentes de combate. Mas, usar uma arma nuclear para levar a cabo um ataque eletromagnético contra a Ucrânia, cumpriria o objetivo. Em vez de uma bola de fogo e uma gigantesca ‘nuvem-cogumelo’, o que resultaria seria uma orbe de uma luz azul estranha, que pulsaria nos céus, seguida de um silêncio absoluto, já que à altitude em que seria detonada a arma, o som não seria transmitido.

“Uma EMP nuclear relativamente pequena, facilmente lançada pelos mísseis hipersónicos Zircon da Rússia, pode não destruir edifícios ou matar imediatamente muitas pessoas. Mas pode inutilizar permanentemente circuitos elétricos, numa área de milhares de quilómetros quadrados de território ucraniano”, garante Pardo-Maurer.

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Segundo o especialista, os equipamentos de defesa fornecidos pela NATO não ajudariam em nada, já que todos os sistemas de rádio, navegação GPS e drones dependem de eletrónica, seja para operar, lançar ou para manutenção. “Os efeitos eletromagnéticos permaneceriam e um ataque deste tipo destruiria 90% de todos os satélites por cima da zona afetada, em apenas três meses”, adianta.

Por exemplo, um ataque EMP lançado sobre Kherson, desligaria os sistemas que permitem operar as barragens da região, causaria entupimento e corte de estradas e pontes, com quilómetros de veículos inutilizáveis, e deixaria a população desesperada para garantir condições mínimas de sobrevivência, incluindo comida, ou aquecimento. A Ucrânia teria que fazer uma ‘pausa’ na tentativa de reconquista de territórios ilegalmente anexados pela Rússia, e Putin teria tempo para ‘respirar’, repor tropas na frente de batalha e repensar a estratégia.

Para Roger Pardo-Maurer, os aliados da Ucrânia deveriam estar a ajudar as forças militares ucranianas a prepararem-se para a realidade possível de um ataque eletromagnético, bem como deviam ser promovidos simulacros para preparara a população para essa eventualidade.

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“Finalmente, devíamos também repensa os nossos objetivos. Se Putin contempla o uso de uma arma tática de EMP, então não é só a liberdade da Ucrânia em jogo, é todo o futuro dos próximos conflitos mundiais. Se cedermos à chantagem do Kremlin, outros países se seguirão”, avisa o responsável, recordando que a China e a Coreia do Norte já têm armas com esta capacidade que podem usar a qualquer momento.

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