Os exercícios militares anuais Han Kuang, das Forças Armadas de Taiwan, vão incluir este ano simulações de operações de “contrabloqueio” marítimo, num contexto de crescente atividade da China em águas a leste da ilha, informaram hoje as autoridades taiwanesas.
Em comunicado, o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan indicou que a Marinha e a Guarda Costeira vão cooperar em missões de aplicação da lei no mar, patrulhamento e proteção de zonas marítimas, segurança das rotas de navegação e escolta de materiais essenciais.
Segundo o ministério, o objetivo é “reforçar a segurança das linhas de comunicação marítima e a resiliência do abastecimento de bens essenciais”, recorrendo a mecanismos conjuntos de informações, vigilância e reconhecimento, bem como a um sistema coordenado de comando, controlo e resposta.
A inclusão destes exercícios surge num contexto de tensão entre Taipé e Pequim devido ao recente destacamento de um elevado número de embarcações da Guarda Costeira chinesa e de outros organismos governamentais em águas a leste de Taiwan, desde junho.
Especialistas consideram que estas operações poderão constituir o prelúdio de uma eventual quarentena marítima, através da qual Pequim poderia deter, inspecionar ou mesmo abordar navios mercantes com destino à ilha, interrompendo o fornecimento de bens essenciais, como o gás natural liquefeito, principal fonte de produção de eletricidade em Taiwan.
Em conferência de imprensa citada pela agência CNA, o major-general Lu Wen-yuan, responsável pela Divisão de Operações Conjuntas do Estado-Maior, afirmou que os exercícios Han Kuang vão voltar este ano a simular um “ambiente de combate real”, com “cenários ininterruptos”.
Segundo o oficial, entre as prioridades das manobras figuram, além das operações de “contrabloqueio”, a gestão de situações imprevistas e a resposta da cadeia de comando, medidas para impedir ações inimigas contra infraestruturas estratégicas e o destacamento e manobra de forças entre diferentes regiões da ilha.
As tropas vão também treinar cenários de mobilização e preparação para combate, operações conjuntas de defesa contra desembarques anfíbios e estratégias de “defesa em profundidade” e de combate prolongado, acrescentou.
“As Forças Armadas continuarão, em função da ameaça do inimigo e das necessidades da operação defensiva, a realizar treino realista e orientado para a missão (…), para dissuadir a agressão inimiga através de uma sólida capacidade de combate e proteger a segurança nacional, mantendo a paz e a estabilidade regional”, afirmou Lu.
Em paralelo com os exercícios Han Kuang, o ministério revelou igualmente os detalhes dos exercícios anuais de “resiliência urbana”, que decorrerão em 07 de agosto e entre 10 e 13 de agosto e nos quais, pela primeira vez, os 368 municípios de Taiwan realizarão simulacros de realojamento de populações e abrigo antiaéreo.
As duas operações decorrem numa altura de intensificação da pressão militar da China, que considera Taiwan uma “parte inalienável” do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha.




