Portugal tinha 1.612.094 alunos matriculados no ensino público e privado no ano letivo de 2024/25, menos 1.851 do que no ano anterior. A quebra é ligeira, de 0,1%, mas interrompe três anos consecutivos de crescimento e confirma uma tendência mais longa: numa década, o país perdeu quase 88 mil alunos.
Segundo o Público, os dados constam do relatório “Educação em Números”, publicado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. Em 2014/15, estavam matriculados 1.699.976 alunos, o que significa que a população estudantil diminuiu 5,2% em dez anos.
A rede escolar também encolheu. Em 2024/25 existiam 8.002 estabelecimentos de ensino em Portugal, contra 8.898 uma década antes.
Primeiro ciclo continua a crescer
Apesar da descida global, o 1.º ciclo foi a exceção em 2024/25. O número de alunos passou de 400.174 para 409.236, um aumento de 9.062 crianças.
Este crescimento contrasta com as quebras verificadas nos restantes níveis. O pré-escolar perdeu 3.848 crianças, passando de 269.616 para 265.768. No 2.º ciclo, o número de alunos caiu de 206.225 para 204.825, enquanto no 3.º ciclo recuou de 348.393 para 345.732.
No ensino secundário, o número de matriculados passou de 389.537 para 386.533, menos 3.004 alunos.
De acordo com o Público, o crescimento registado nos últimos anos está relacionado em grande medida com a entrada de mais estudantes estrangeiros nas escolas portuguesas.
Ensino privado ganha peso no secundário
Uma das mudanças mais relevantes da última década está na distribuição dos alunos do secundário entre escolas públicas e privadas.
O número de estudantes matriculados no privado passou de 81.121 em 2014/15 para 98.120 em 2024/25. Em termos relativos, o peso das escolas privadas subiu de 20,6% para 25,4% do total de alunos do secundário, um aumento de 4,8 pontos percentuais.
No mesmo período, o número de estudantes no ensino público caiu de 312.497 para 288.413.
Apesar de a população total do secundário ter diminuído cerca de 1,8% numa década, o número de alunos no privado cresceu aproximadamente 21%. A perda de estudantes concentrou-se, assim, sobretudo na escola pública.
Há mais professores por aluno, mas docentes estão mais envelhecidos
Os dados mostram também que existe atualmente uma relação mais baixa entre alunos e professores do que há dez anos.
No 1.º ciclo, por exemplo, o número de docentes subiu de 28.095 para 31.619 entre 2014/15 e 2024/25, enquanto os alunos diminuíram de 418.145 para 409.236.
O número médio de estudantes por professor caiu sobretudo no ensino público. No 1.º ciclo, passou de 14,6 para 12,6; no pré-escolar, de 15,8 para 13,5; e no conjunto do 3.º ciclo e secundário, de 8,8 para 7,7.
Estes valores, contudo, não refletem necessariamente a disponibilidade de docentes em todas as escolas. As médias não têm em conta a distribuição geográfica, as diferentes funções desempenhadas pelos professores ou as reduções de horário associadas ao envelhecimento da classe.
Mais de 60% dos professores do 2.º e 3.º ciclos têm 50 ou mais anos
O envelhecimento do corpo docente continua a ser evidente.
No 3.º ciclo e secundário das escolas do continente, os professores com 50 ou mais anos representavam 20,4% do total em 2000/01. Em 2024/25, já correspondiam a 62,9%.
No sentido contrário, os docentes com menos de 30 anos passaram de 15% para apenas 3,6%.
No 2.º ciclo, 64,1% dos professores têm pelo menos 50 anos e apenas 3,7% têm menos de 30. No 1.º ciclo, os mais jovens representam 3,9% do total, contra 15,7% em 2000. Ainda assim, houve alguma recuperação relativamente a há dez anos, quando eram apenas 1,4%.
Retenção e abandono caíram para menos de metade no ensino básico
Outro dos indicadores com evolução positiva é a taxa de retenção e desistência.
No ensino básico, 3,6% dos alunos ficaram retidos ou abandonaram em 2024/25, contra 7,9% em 2014/15.
No secundário, a taxa caiu de 16,6% para 8,8% no mesmo período.
Depois de uma quebra acentuada no início da pandemia, os indicadores voltaram a subir em 2020/21, mas registaram ligeiras melhorias no último ano letivo.
No 3.º ciclo, a taxa de retenção ficou em 5,7%, abaixo dos 6,2% de 2023/24. No secundário, caiu para 8,8%, menos 0,8 pontos percentuais do que no ano anterior.
Nos cursos científico-humanísticos, a taxa de retenção e desistência foi de 12,3%, enquanto nos cursos profissionais se ficou pelos 5,8%.
Cerca de 15% dos jovens não estão no nível de ensino esperado no secundário
Apesar da escolaridade obrigatória, a taxa real de escolarização ainda não chega aos 100%.
Em 2024/25, era de 91,8% na educação pré-escolar, igualmente de 91,8% no conjunto do ensino básico e de 84,8% no secundário.
Isto significa que cerca de 15% da população em idade correspondente ao ensino secundário não frequenta o nível de ensino esperado.
No último ano letivo, concluíram o ensino secundário 108.642 alunos.













