Energia: um ativo para as empresas

Opinião de Victor Moure, Country Manager Portugal da Schneider Electric

Executive Digest

Por Victor Moure, Country Manager Portugal da Schneider Electric

O desafio mais importante que todas as empresas atravessam é entender e enfrentar os tempos incertos que vivemos – agora ainda mais agravados pela crise energética. O desconhecimento do que vai acontecer pode paralisar as decisões, mas liderar uma empresa é mais do que atingir o máximo de produtividade, rentabilidade e benefícios; liderar uma empresa é gerir o presente sem hipotecar o futuro, o que implica tomar as decisões certas a cada dia.

O binómio energia-sustentabilidade é um dos capítulos mais importantes da agenda dos governos – mas também do setor empresarial, que deve abordá-lo a partir de uma visão holística e estratégica. Dito por outras palavras: energia e sustentabilidade são responsabilidade dos CEOs.

A energia nas empresas

A competitividade da indústria europeia está a ser posta em questão pelos elevados custos do gás e da eletricidade. O encerramento temporário da fábrica da Duralex, em Orleães, ou as paralisações seletivas do setor siderúrgico segundo a flutuação dos preços da energia são exemplos. Ainda que a siderurgia esteja entre as indústrias mais impactadas, as empresas de fertilizantes, cerâmicas, etc. estão também a ver-se forçadas a ajustar a produção em função do custo da energia.

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Mesmo quando já vemos o tremendo impacto que a energia tem nas nossas operações, continuam a ser muito poucas as empresas que conseguem ter noção do custo da energia de cada unidade de produto, ou a quantidade de energia de que vão necessitar se escolherem uma máquina em detrimento de outra para a sua produção.

Torna-se claro que as organizações – e o setor empresarial como um todo – precisa de assumir o controlo da sua energia para que esta se torne mais um ativo. Fazer isto implica, antes de tudo, tornar a energia visível; ou seja, digitalizá-la e ser capaz de explorar os dados recolhidos.

Depois será necessário integrar a gestão das operações e a gestão da energia. Já não são válidas soluções verticais, desenvolvimentos autónomos ou arquiteturas fechadas; devemos aumentar o grau de interoperabilidade através de arquiteturas abertas, que facilitam a interoperabilidade e a troca de informações entre aplicações de forma descentralizada e semiautónoma.

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Finalmente, necessitamos de descentralizar a nossa energia, apostando no autoconsumo e nas microgrids e exigindo um sistema muito mais flexível do lado da procura.

O poder dos dados e a federação de plataformas

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a indústria pode economizar até 30% da energia que consome com a tecnologia disponível, com prazos de retorno do investimento inferiores a dois anos na maioria dos casos. A pergunta lógica que se impõe é: por que é que ainda estamos a desperdiçar energia?

Simplesmente porque muitas empresas não dispõem dos dados relativos ao seu consumo de energia ou das competências necessárias para os interpretar. Não é possível melhorar o que não se conhece!

Necessitamos de ser capazes de explorar os nossos dados operacionais e os nossos dados energéticos como um todo. As integrações ligeiras não são suficientes, precisamos de alcançar um nível de interoperabilidade entre aplicações que nos permita ampliar a vida útil dos dados fora do contexto onde foram criados, para serem explorados e correlacionados com outras fontes de informação. O objetivo é que todos os atores que trabalham num processo, produto ou projeto partilhem a mesma versão de dados e modelos.

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Reduzir a volatilidade dos preços e a nossa dependência energética

As empresas devem reduzir a sua dependência energética e aumentar a resiliência face ao momento atual. Mas como?

A produção local de energia renovável é uma das ferramentas mais poderosas que podemos aproveitar para reduzir a nossa dependência. Neste campo, as microgrids terão um papel estratégico, principalmente em instalações industriais, centros logísticos, centros comerciais e edifícios terciários, uma vez que permitem produzir, armazenar e gerir a energia no local. As empresas devem passar de consumidoras de energia a prosumers (produtoras + consumidoras).

Em suma, a nossa indústria está a enfrentar um dos desafios mais importantes dos últimos anos. Não só a dependência energética é enorme, como muitos dos processos ainda dependem de combustíveis fósseis e grande parte do tecido industrial faz uma utilização intensiva da energia. À medida que desenvolvemos soluções de longo prazo, como o hidrogénio verde, que vão dar resposta a uma pequena parte das necessidades, devemos abordar o problema real e assumir o controlo da nossa própria energia: digitalizá-la e explorar os dados para sermos mais eficientes, começando desde já com a eletrificação de processos e a transição para um mundo de prosumers.

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