Na língua inglesa, as letras P, T e K são aspiradas, o que significa que, quando faladas, inúmeras pequenas gotículas «voam» da boca da pessoa, sendo expelidas directamente para o ar.
Em tempos de Covid-19, este pode ser um factor importante, pois significa que uma conversa casual em inglês pode constituir um sério risco de transmitir o vírus, com maior probabilidade do que acontece noutros dialectos, segundo o site ‘Fast Company’.
As suspeitas de que este tipo de pronúncia pode contribuir para espalhar vírus têm pelo menos 17 anos e constam de um artigo, publicado na revista médica ‘Lancet’, que observou taxas de infecção pelo vírus da SARS substancialmente mais baixas em falantes de japonês, em comparação com outros, mas sobretudo o inglês.
Esta primavera, investigadores da Universidade RUDN de Moscovo, na Rússia, suspeitaram que consoantes aspiradas podiam desempenhar um papel importante na propagação do novo coronavírus e compararam as taxas de Covid-19 em 26 países com a frequência de consoantes aspiradas nos mesmos. Os países com consoantes aspiradas registaram taxas de infecção 20% superiores.
Os investigadores apontam ainda uma série de variáveis importantes, para além dos padrões da fala, que afectam as taxas de infecção dos países, nomeadamente práticas de distanciamento social. No entanto, esperam que esta descoberta ajude os epidemiologistas na modelagem de doenças futuras.



