Um estudo da Catalyst Research mostra que a adoção agressiva de soluções digitais permitiu gerar 60% mais receita junto das pequenas e médias empresas (PMEs). Também levou a uma melhoria de 40% da retenção de clientes e a um aumento de 300% nas contratações.
Segundo o relatório, as ferramentas digitais ajudaram as pequenas empresas a sobreviver e até mesmo a crescer durante a crise. No entanto, tudo pode mudar com o Digital Markets Act (DMA) que, de acordo com a Catalyst Research, apresenta um impacto potencial negativos nos negócios de dimensão mais reduzida.
O DMA é um conjunto de regras proposto pela Comissão Europeia que tem como propósito controlar o poder dos grandes gatekeepers digitais. Contudo, “as PME europeias podem tornar-se danos colaterais se isto for feito de maneira errada”, alerta Mark Drapeau, sócio e Chief Research Officer da Catalyst Research.
O especialista afirma que já foi possível vislumbrar efeitos semelhantes com o RGPD e com as restrições impostas à recolha e ao tratamento dos dados dos consumidores: “O RGPD, mais do que criar valor para pequenas e médias empresas que ainda estão a lutar para implementá-lo, veio criar volume de trabalho adicional para os advogados e consultores, ao mesmo tempo que adiciona custos e complexidade”.
Com o DMA, o cenário poderá ser idêntico, com as startups de forte base tecnológica a enfrentar obstáculos regulatórios que resultarão em mais barreiras à expansão do negócio. Por outro lado, o DMA poderá levar também a um desincentivo da construção de um ecossistema adequado.
“Já outras PME, nomeadamente aquelas que utilizam tecnologia com menos intensidade e que adotaram ferramentas e canais digitais fornecidos por grandes empresas para angariarem novos clientes e alavancarem o mercado interno, irão correr o risco de perder o alcance e eficiência das ferramentas e canais que estão a utilizar”, acrescenta Joakim Wernberg, Research director of Digitalisation and Tech Policy do Swedish Entrepreneurship Forum e membro do Digital Markets Act Working Group.
Joakim Wernberg sublinha ainda que, atualmente, as PMEs representam 99% do total de empresas europeias e que respondem por mais de metade da produção económica da Europa. Porém, a maioria não é digitalmente avançada e opta por implementar soluções desenvolvidas por terceiros, incluindo os gatekeepers que o DMA quer controlar.
“Para muitas PME, as grandes plataformas digitais representam uma oportunidade para que estas possam aceder ao mercado como um serviço. Restringir empresas de plataforma para proteger empresas menores pode, neste contexto, limitar desnecessariamente o acesso das PME ao mercado”, conclui.














