Descida a pique do kwanza ameaça empresas e expatriados

A desvalorização do kwanza poderá vir a penalizar o balanço das 1200 empresas portuguesas que têm actividade em Angola e levar ao regresso a Portugal de muitos expatriados, avança esta sexta-feira o “Jornal de Negócios”. 

Desde o início de Outubro e até 7 de Novembro, a moeda angolana desvalorizou 18% face ao dólar e 19% por comparação com o euro. A queda do kwanza acentuou-se depois de 23 de Outubro, dia em que o comité de política monetária do Banco Nacional de Angola decidiu eliminar a margem de 2% sobre a taxa de câmbio de referência que era praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos clientes. E recuando ainda mais no tempo, constata-se que no início do ano eram precisos 308 kwanzas para comprar um dólar e 353 para conseguir um euro, sendo que agora são precisos 465 kwanzas para adquirir um dólar e 512 para obter um euro.

Este quadro de crise cambial está já a preocupar as empresas nacionais de construção, adianta o mesmo jornal. «Afecta muito as empresas no seu equilíbrio financeiro», disse Manuel Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa de Construção e Imobiliário (CPCI), acrescentando que a descida a pique do kwanza «trará dificuldades ao Governo angolano no cumprimento do Orçamento do Estado, podendo travar projectos de obras públicas que estavam previstos».

Ao «Negócios», um economista angolano, sob anonimato, deixou a sentença: «A depreciação pressiona os preços, retirando poder de compra e consequentemente afecta o consumo. O menor nível de vendas afecta a tesouraria das empresas, que se agrava porque muitas delas têm elevadas necessidades de importação e custos ainda indexados à moeda estrangeira, e como os seus proveitos são em moeda nacional os prejuízos são evidentes».

O facto do salário dos expatriados ser pago em euros ou dólares é também o motivo para um previsível êxodo dos cerca de 130 mil portugueses a viverem em Angola. Os custos das empresas estão a crescer. Assim, algumas estão a informar os expatriados que pretendem pagar os salários em kwanzas, ou, em contrapartida, diminui-los, caso se mantenha o pagamento numa moeda forte.

Questionado sobre esta eventualidade, o presidente da CPCI diz não ter conhecimento de que empresas ou trabalhadores nacionais estejam neste momento a deixar o país, mas reconhece que a situação é «motivo de preocupação». Manuel Reis Campos assegura, no entanto, que o Governo português «tem a acompanhado a situação com a sensibilidade que o assunto merece».

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