Uma delegação do movimento islamita palestiniano Hamas, liderada pelo chefe do seu gabinete político, Ismail Haniyeh, chegou hoje ao Cairo para discutir com altos responsáveis dos serviços secretos egípcios uma possível trégua em Gaza e uma troca de prisioneiros.
De acordo com fontes próximas das conversações citadas pela agência de notícias espanhola Efe, a delegação do Hamas reunir-se-á em breve com o chefe dos serviços secretos egípcios, Abbas Kamel, para “discutir um possível acordo de trégua que conduza à libertação dos reféns” mantidos pelo movimento islamita na Faixa de Gaza.
Nas reuniões será debatida a proposta de acordo apresentada pelo Qatar para um novo cessar-fogo e uma troca de reféns por prisioneiros palestinianos que se encontram em prisões israelitas, que Haniyeh afirmou na terça-feira que o movimento “está a analisar” e à qual “responderá em breve”.
Por seu turno, o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, regressará em breve ao Médio Oriente, numa altura em que os mediadores se esforçam por alcançar uma nova trégua na guerra entre Israel e o Hamas.
Blinken, que já se deslocou quatro vezes à região desde o início da guerra, a 07 de outubro, partirá “nos próximos dias”, declarou um responsável norte-americano citado pela agência de notícias francesa AFP a coberto do anonimato, sem precisar que países o secretário de Estado visitará.
Hoje, o conselheiro para a Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, reunir-se-á com o ministro dos Assuntos Estratégicos israelita, Ron Dermer, indicou uma fonte próxima, confirmando em parte informações veiculadas pela comunicação social.
Segundo o ‘site’ da Internet Axios, o conselheiro norte-americano e o seu interlocutor israelita, considerado muito próximo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tencionam discutir, em Washington, o conflito na Faixa de Gaza e o seu desfecho.
Na sua última deslocação à região, no início de janeiro, Antony Blinken foi a Israel e a vários países árabes, entre os quais a Arábia Saudita, o Qatar e o Egito.
Na segunda-feira, em Washington, o secretário de Estado norte-americano falou de uma “verdadeira esperança” de libertação em breve dos reféns ainda mantidos pelo Hamas em Gaza desde o ataque a Israel, a 07 de outubro.
O Qatar, juntamente com o Egito e os Estados Unidos, lidera os esforços de mediação desde que a guerra eclodiu entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) – desde 2007 no poder na Faixa de Gaza e classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel.
A 07 de outubro, combatentes do Hamas realizaram em território israelita um ataque de proporções sem precedentes desde a criação do Estado de Israel, em 1948, fazendo 1.139 mortos, na maioria civis, e cerca de 250 reféns, 132 dos quais permanecem em cativeiro e 29 presumivelmente mortos, segundo o mais recente balanço das autoridades israelitas.
Em retaliação, Israel declarou uma guerra para “erradicar” o Hamas, que começou por cortes ao abastecimento de comida, água, eletricidade e combustível na Faixa de Gaza e bombardeamentos diários, seguidos de uma ofensiva terrestre ao norte do território, que depois se estendeu ao sul.
A guerra entre Israel e o Hamas, que hoje entrou no 117.º dia e continua a ameaçar alastrar a toda a região do Médio Oriente, fez até agora na Faixa de Gaza 26.900 mortos, quase 66.000 feridos e 8.000 desaparecidos, na maioria civis, de acordo com o último balanço das autoridades locais, e quase dois milhões de deslocados (mais de 85% dos habitantes), mergulhando o enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária, com toda a população afetada por níveis graves de fome, que já está a fazer vítimas, segundo a ONU.
Em paralelo, os Estados Unidos estão a tentar impulsionar um plano para moldar uma arquitetura regional após a guerra, que envolve a criação de um Estado palestiniano, à qual Israel se opõe.
“Desde pelo menos 1973, e até mesmo antes, que não assistíamos a uma situação tão perigosa como a que atualmente enfrentamos na região”, afirmou Blinken na segunda-feira, referindo-se à Guerra do Yom Kippur.








