A Europa prepara-se para ficar de olhos postos em Davos, na Suiça, onde se realiza esta terça-feira a 50ª edição do Fórum Económico Mundial, com o tema da crise climática a dominar o palco principal. A guest-list inclui nomes como o do Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, a activista sueca Greta Thunberg, a chanceler alemã Angela Merkel, o príncipe Carlos de Inglaterra e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz. A China estará representada pelo vice-primeiro-ministro Han Zheng.
Estes nomes fazem parte dos cerca de 2.800 participantes nos 50 anos do Fórum, que decorre entre 21 e 24 de Janeiro. Já Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, tinha a viagem marcada, mas acabou por desistir por razões «económicas, políticas e de segurança». O chefe da diplomacia iraniana também cancelou a sua presença.
De Portugal, não irá o ministro das Finanças, Mário Centeno, pela primeira vez em seis anos. A lista de portugueses é encabeçada pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres.
Saiba quais os cinco pontos que irão marcar a agenda do Fórum:
1. Qual será a postura de Donald Trump?
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, regressa a Davos depois de ali ter estado em 2018. O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, o ministro do Comércio, Wilbur Ross, e o representante para o Comércio, Robert Lighthizer, fazem parte da delegação americana.
Nos 50 anos do Fórum, Trump deverá adoptar uma postura mais serena, sobretudo depois de ter assinado na passada quarta-feira, 15 de Janeiro, a «fase um» como lhe apelidou – de um acordo comercial com a China, com o objectivo de pôr um ponto final no conflito entre as duas superpotências. A «fase 2» será assinada futuramente em Pequim, onde irão decorrer prosseguir as negociações.
O presidente norte-americano tem sido um forte crítico da China desde que foi eleito, alegando desequilíbrio nos produtos importados e exportados entre os dois países. Desde 2016, Donald Trump já agravou as taxas alfandegárias sobre centenas de produtos importados da China, abrangendo valores na ordem das centenas de milhares de milhões de dólares.
No centro das atenções estará também o ataque com drone, orquestrado por Trump, que causou a morte ao major-general Qassem Solaimani, comandante da Força Al-Quds, e a Abu Mahdi al-Muhandis, líder da milícia Kata’ib Hezbollah.
Recorde-se ainda que é já nesta semana que começa o julgamento de impeachment de Donald Trump no Senado, acusado de pressionar o seu homólogo ucraniano para investigar o filho de Joe Biden, um dos favoritos às presidenciais de Novembro. Ainda assim, poucos acreditam que no final dois terços de uma câmara em que os republicanos têm maioria votem para destituir o líder da Casa Branca.
2. A economia global vai recuperar?
Apesar de Trump ter dado um passo atrás na guerra comercial com a China, as tensões abertas pela sua Administração continuam a lançar dúvidas sobre o crescimento da economia global.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) lança, esta segunda-feira, a actualização do «World Economic Outlook», depois de em Outubro do ano passado ter indicado que Portugal iria crescer acima da média da Zona Euro quer em 2019 como em 2020, tendo sido revisto em alta ambos os valores, para 1,9% e 1,6%, respectivamente. As novas projecções serão explicadas pela directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e pela conselheira económica e directora do Departamento de Pesquisa, Gita Gopinath.
Também há dias, o Banco Mundial (BM) previu um crescimento de 2,5% da economia mundial em 2020, um valor abaixo dos 2,7% projectados em Junho, embora acima dos 2,4% estimados para 2019, advertindo que os «os riscos negativos predominam». Este ano, a recuperação projectada «poderá ser maior se acções de política recentes – particularmente aquelas que mitigaram tensões comerciais – levarem a uma redução sustentada nas incertezas políticas», afirmou o BM, referindo-se à relação entre os Estados Unidos e a China.
3. Haverá compromissos?
O clima é um dos temam centrais da conferência que junta os principais líderes da política e economia mundial numa estância de esqui na Suíça. O Fórum, cujo lema será «accionistas por um mundo sustentável e inclusivo» pretende chamar a atenção para os «confrontos económicos» e a «polarização política doméstica», «riscos significativos» que o planeta enfrenta já em 2020.
No ano passado, os CEO de 181 das maiores empresas americanas assinaram um manifesto onde se comprometem a deixar de focar a sua gestão apenas na remuneração accionista e passar a priorizar a devolução de valor à sociedade. Marty Lipton, advogado veterano em Wall Street, pede mais acção, sobretudo por parte de grandes investidores, na sequência da decisão da semana passada da BlackRock, que anunciou a saída dos investimentos com alto risco relacionados com o ambiente.
4. A tecnologia pode «fazer o bem»?
Da privacidade dos dados pessoais à tributação, há muitas questões que se levantam para os grandes executivos tecnológicos que estarão presentes em Davos. Sundar Pichai, actual CEO do Google, e Ren Zhengfei, fundador da Huawei, vão participar na conferência, assim como Sheryl Sandberg, COO do Facebook.
O presidente da tecnológica americana Microsoft, Satya Nadella, recorde-se, anunciou há dias que a empresa pretende ter uma pegada de carbono negativa até 2030. Na prática, a Microsoft terá de eliminar mais dióxido de carbono do que aquele que produz.
5. Como será perseguido o esforço de sustentabilidade?
Este ano, a organização do Fórum pediu aos participantes que viajassem para Davos através de transportes com baixas emissões. O apelo foi também estendido à restauração: foi pedido às empresas que não incluam alimentos considerados «luxuosos», por exemplo, e foi reservado um dia para menus vegetarianos e «proteínas alternativas». Já as empresas que irão organizar eventos dentro do Fórum também foram convidadas a oferecer aos seus convidados vinhos locais e chás de ervas suíças. E também este ano foi lançada uma iniciativa de reflorestação durante dez anos.














