Das laranjas aos foguetões. ‘Live commerce’ explode na China

Ao todo, 10% dos 900 milhões de chineses que fazem compras online terão efetuado ao menos uma compra “ao vivo” em 2020.

Executive Digest

Entre todas as tendências digitais aceleradas na China pela pandemia da Covid-19 nenhuma teve um impacto económico maior que a migração das vendas no retalho para o formato “live commerce”.

O método, que consiste basicamente em fazer transmissões ao vivo pela internet para apresentar produtos, ainda que não seja uma novidade, nem um fenómeno apenas na China, é por estas passagens que a aposta se está a agigantar. Mas em Portugal o ‘boom’ também está imparável.

Hoje, em muitas apps de vídeos curtos, anónimos ou celebridades, especialistas em itens tão variados como ração para cães ou cosméticos apresentam o que têm para vender e acabam por desempenhar um papel de entretenimento ao explicar e exibir, exaustivamente, os produtos, antes que o público, com quem cria laços de proximidades, decida comprá-los.

A possibilidade de tirar dúvidas e conversar, ao vivo, com quem produz ou revende é um ponto positivo. E até agricultores entraram nesta aventura e usam o ‘live’ para explicar como as suas laranjas, cenouras ou abacates são produzidos, dão dicas de receitas e transmitem almoços em família, relata Felipe Zmoginski, ao UOL.

A tecnologia tem um lugar de destaque, permitindo alimentar nichos específicos de pessoas interessadas em produtos não parecem ter muita saída. Um caso que ficou famoso, há cerca de um mês, na China, há um mês, envolveu uma engenheira de Pequim que ofereceu um foguete espacial construído na sua universidade e em sete minutos, achou um comprador, do outro lado do país, partilha ainda Zmoginski.

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Os mais recentes dados do TaoBao, um dos serviços de e-commerce da gigante Alibaba, detida por Jack Ma, as lojas virtuais que implementaram o ‘live commerce’ conseguiram aumentar as vendas em 70% dos casos. Só em 2019, antes da pandemia, que forçou as pessoas a fecharem-se em casa e, naturalmente, beneficiou o e-commerce, a tecnologia “ao vivo” movimentou 65 mil milhões de dólares.

Para este ano, segundo projeção feita pelo Gabinete Nacional de Internet, órgão estatal que processa estatísticas sobre a digitalização da economia, o ‘live commerce’ deverá movimentar 155 mil milhões, mais do dobro, entenda-se.

Ao todo, 10% dos 900 milhões de chineses que fazem compras online terão efetuado ao menos uma compra “ao vivo” em 2020.

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Até o final de 2021, o organismo de estatísticas projeta que a “taxa de penetração” do ‘live commerce’ continuará a crescer ao ritmo de 100% ao ano. Ou seja, 20% dos consumidores digitais chineses terão feito compras online. Em termos de faturação, o chamado “Gross Merchandising Value” deve bater 300 mil milhões de dólares.

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