Por: Sérgio Carvalho, Director de Marketing e Clientes da Fidelidade
Em Portugal, o dinheiro continua a viver num território ambíguo.
É determinante nas decisões de vida, mas permanece ausente de muitas conversas estruturantes. Este paradoxo tem um custo na qualidade das decisões, na preparação do futuro e, em última análise, na autonomia financeira das famílias.
Mas este não é apenas um tema cultural. É um tema estrutural. E é, cada vez mais, um tema de liderança.
Hoje, o sector financeiro enfrenta uma transformação profunda. Os clientes já não procuram apenas produtos. Procuram orientação, integração e, acima de tudo, confiança para tomar decisões num contexto de crescente complexidade. É neste enquadramento que o Grupo Fidelidade está a redefinir o seu papel.
Durante décadas, a Fidelidade construiu uma posição sólida assente na protecção de pessoas, famílias e empresas. Esse legado é hoje uma vantagem competitiva clara, mas, no contexto actual, é apenas o ponto de partida.
A ambição do Grupo é inequívoca: assumir um papel determinante na gestão integrada do património dos portugueses. Isto implica evoluir de uma lógica de produto para uma lógica de ecossistema, acompanhando o cliente em todas as dimensões da sua vida financeira – protecção, poupança, investimento e crédito -com soluções articuladas, simples e relevantes. Mais do que responder a necessidades, trata- -se de antecipar decisões.
“Mais do que seguros, seguros a falar de dinheiro.”
É neste contexto estratégico que surge a nova campanha de comunicação: “Mais do que seguros, seguros a falar de dinheiro.”, que traduz uma ambição profunda: consciencializar os portugueses para a importância da educação financeira desde cedo e reforçar a importância da poupança e do investimento ao longo da vida, para que o dinheiro deixe de ser uma preocupação constante na vida das famílias. Quando existe confiança na forma como o futuro está a ser preparado, o presente deixa de estar dominado pela incerteza. Não se trata assim de evitar o tema, mas antes de o resolver.
E essa é, hoje, uma das principais responsabilidades das instituições financeiras: reduzir a ansiedade, simplificar a complexidade e devolver às pessoas a tranquilidade para se focarem no que realmente importa.
Poupança como base, investimento como motor
Num país historicamente marcado por baixos níveis de poupança estruturada e reduzida literacia financeira, o desafio não está apenas em incentivar o acto de poupar. Está em transformar poupança em estratégia.
A Fidelidade tem vindo a consolidar a sua posição neste domínio, não apenas pela diversidade da sua oferta, mas pela forma como a enquadra. Com transparência, clareza e uma lógica de longo prazo. Mas a poupança, por si só, já não é suficiente. É essencial garantir que o património das famílias para além de protegido também é valorizado.
É aqui que a gestão de activos assume um papel central na visão do Grupo – reforçada pela recente aquisição da IGMA – permitindo uma mais sofisticada, diversificada e alinhada com os diferentes perfis e objectivos dos clientes.
Crédito: uma peça essencial do equilíbrio financeiro
Se a poupança e o investimento são pilares da construção de património, o crédito é uma das suas variáveis mais críticas. Durante demasiado tempo, estas dimensões foram tratadas de forma isolada. Hoje, é evidente que não podem ser dissociadas.
A criação da FinEasy representa, neste contexto, um passo estratégico decisivo. Ao integrar competências na área da intermediação de crédito, o Grupo Fidelidade reforça a sua capacidade de oferecer uma visão completa e equilibrada da vida financeira dos clientes.
Mais do que facilitar o acesso ao crédito, o objectivo é enquadrá-lo de forma responsável no contexto global do património de cada cliente, assegurando que as decisões de financiamento estão alinhadas com a sua capacidade, os seus objectivos e a sua estratégia de longo prazo.
Porque não há boa gestão de activos sem uma gestão inteligente do passivo.
Um ecossistema ao serviço das decisões
A construção deste posicionamento assenta na capacidade de integração entre tecnologia, conhecimento e proximidade.
Ferramentas digitais como a app MySavings desempenham aqui um papel decisivo, permitindo aos clientes acompanhar, de forma simples e intuitiva, a evolução das suas poupanças e investimentos, simular cenários e tomar decisões mais informadas.
Mas a tecnologia, por si só, não é suficiente. A rede de distribuição da Fidelidade continua a ser um activo central, não apenas como canal, mas como verdadeiro parceiro de aconselhamento. Cada mediador assume hoje um papel mais abrangente: ajudar os clientes a interpretar escolhas, estruturar decisões e gerir o seu percurso financeiro ao longo do tempo. Mais do que vender produtos, trata-se de aconselhar trajectórias de vida.
Temos por isso vindo a investir fortemente na capacitação da nossa rede de agentes, nomeadamente através do Programa Certificação Digital. Com o know-how e experiência do CFA Institute reforçamos os conhecimentos dos nossos parceiros de distribuição para que se tornem parceiros cada vez mais relevantes no aconselhamento aos clientes, acompanhando-os de forma próxima nas suas decisões de investimento ao longo do ciclo de vida dos clientes.
Educação financeira: um imperativo estratégico
Nenhuma transformação estrutural será sustentável sem um aumento significativo dos níveis de educação financeira. E este não é apenas um tema de responsabilidade social. É um tema de competitividade do País.
Clientes mais informados tomam decisões mais eficientes, gerem melhor o risco e constroem património de forma mais consistente. E isso beneficia todo o sistema.
Temos por isso vindo a desenvolver e a apoiar diversas iniciativas que promovem a educação financeira de crianças a adultos. Entre elas a parceria com a Escola das Finanças – Magma Studio que conta já com mais de 21.000 pessoas formadas, o Programa de Literacia Financeira criado pela Nova SBE e também várias parcerias com especialistas em Finanças e diversos meios de comunicação social. Para além disto, temos também investido nos nossos sites e blogs, como o Poupar e Investir, e a Academia na App MySavings.
Desta forma, ao assumir um papel activo na educação financeira, o Grupo Fidelidade está a investir, não apenas nos seus clientes, mas no futuro colectivo.
Liderança num novo paradigma financeiro
O sector financeiro está a atravessar um momento de redefinição. As fronteiras tradicionais estão a desaparecer, e os modelos de negócio evoluem para plataformas integradas de serviços.
Neste novo paradigma, a relevância não será definida por quem oferece mais produtos, mas por quem consegue assumir um papel mais significativo na vida das pessoas.
A Fidelidade está a fazer esse caminho. Ao posicionar-se como um gestor integrado do futuro financeiro dos portugueses, combinando protecção, poupança, investimento e crédito, o Grupo afirma uma ambição clara: ser um parceiro de vida, capaz de transformar complexidade em confiança e decisões em progresso.
Mas este é um caminho que não pode de forma alguma ser solitário. Envolve certamente as instituições financeiras – da banca aos seguros – mas também todas as instituições de ensino, do básico à universidade, o Estado e sobretudo as famílias. É no seu seio que a educação financeira tem de começar, desde cedo, para ir ganhando cada vez mais presença ao longo da vida, capacitando cada pessoa a gerir com conhecimento e autonomia o seu património financeiro. Porque, no final, a verdadeira liberdade não está em evitar o tema do dinheiro. Está em saber geri-lo.
Este artigo faz parte da edição de Maio (n.º 242) da Executive Digest.













