Covid-19: O vírus está a perder força? «nada mudou», alerta a OMS

O vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença por Covid-19, não está mais fraco, apesar de nas últimas semanas terem sido registados menos casos de infecção e com menor gravidade do que os verificados nos meses de Março e Abril, de acordo com vários especialistas espanhóis.

Simone Silva

O vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença por Covid-19, não está mais fraco, apesar de nas últimas semanas terem sido registados menos casos de infecção e com menor gravidade do que os verificados nos meses de Março e Abril, de acordo com vários especialistas citados pelo ‘La Vanguardia’.

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A hipótese de um eventual enfraquecimento da capacidade de contágio do vírus foi lançada por um virologista italiano, cujas declarações geraram controvérsia e discórdia na comunidade médica.

Agora são vários os médicos que confirmam que se registam menos casos de infecção e que aqueles que se verificam são ligeiros, a maioria nem necessita de cuidados hospitalares, contudo, tal não se deve ao facto de o vírus estar mais fraco, segundo o epidemiologista do Ministério da Saúde espanhol, Fernando Simón.

«Só porque vemos casos cada vez menos graves, não significa que o vírus se tornou menos agressivo. Não acho que seja esse o caso», disse Tomás Pumarola, director de microbiologia do hospital Vall d’Hebron, em Espanha. Por sua vez, Benito Almirante e Joaquín López Contreras, directores do serviço de doenças infecciosas de outros dois hospitais do país, concordam com o colega.

Pumarola explicou que o vírus varia (embora muito menos do que a gripe) e os laboratórios deram conta de variantes menos agressivas, contudo não se sabe de que forma é feita a sua circulação. Cientistas consideram que faltam dados para garantir a evolução do vírus, o mesmo já não acontece no que diz respeito à sua sobrevivência e continuação no ambiente, mesmo infectando apenas 5% da população de forma ligeira.

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Muitos questionam-se o porquê de existirem agora menos casos e com menos gravidade e se o vírus está mais fraco? Segundo os médicos, devido à evolução da curva epidemiológica, houve um aumento nos casos primeiro e uma redução posterior com a implementação de medidas de assistência e controlo de saúde. Outra justificação possível prende-se com o facto de o vírus já ter infectado parte da população mais sensível, que agora está mais protegida. E também porque actualmente são detectados casos ligeiros ou no início dos sintomas, quando antes eram apenas identificados os mais graves.

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) Maria Van Kerkhove e Michael Ryan garantiram na segunda-feira que «nada mudou» na transmissibilidade do vírus (cada um infectado infecta em média duas pessoas) ou na sua gravidade (20% das infecções são graves). Ambos acrescentaram ainda que nos muitos estudos de genética realizados, não se verificou uma menor capacidade de infecção.

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