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Construção e reinvenção – Eis a única questão!

Por Mariana Rosa, head of Office & Logistics, Agency & Transaction manager na JLL

Sabemos que 2020 não será um ano igual aos outros! Isso é certo. A pandemia veio suspender um ciclo inédito de crescimento no mercado de escritórios e também acelerou tendências que antes já existiam, mas que não se massificavam, como o teletrabalho. Estamos num momento em que as empresas estão mais cautelosas, repensando os seus planos de expansão, ao mesmo tempo que estão a mudar a forma como olham para os seus escritórios.

Mas, temos que ter precisamente em mente que se trata de um momento. Não podemos esquecer-nos de que esta interrupção do ciclo de crescimento resulta de uma situação atípica e, ainda que não consigamos balizar com exactidão o regresso à “normalidade”, estamos numa situação temporária. O actual cenário não resulta do “desgaste” da procura, nem de excesso da oferta. Aliás, muito pelo contrário. A procura latente, mesmo com uma cadência mais lenta, continua a existir, assim, como continua a existir uma flagrante falta de escritórios novos e com qualidade exigida pelas empresas. Na nossa actividade diária de mediação neste mercado, o que temos sentido é que todos os edifícios que ficam concluídos ou que são reposicionados/reabilitados de acordo com os novos requisitos são os primeiros a serem tomados e com tempos de absorção muito interessantes. Um bom exemplo disso é o empreendimento POP, no Porto. Trata-se de um empreendimento novo de grande qualidade, concluído já este ano e construído especulativamente, que foi ocupado em tempo record numa zona onde não existe oferta de qualidade.

Ou seja, ter produto (novo ou reabilitado) de qualidade concluído é uma oportunidade no mercado hoje e, ainda mais, daqui em diante, pelo que os pipelines não devem congelar. As empresas continuam a procurar espaços e vão reactivar-se com maior expressão, sendo que esta procura vai ser cada vez mais focada na qualidade. Se é verdade que o teletrabalho e a própria pandemia enquanto problema de saúde pública trouxeram novos desafios aos escritórios, obrigando a uma reorganização do espaço, também é verdade que essa reorganização tem que estar focada na qualidade que o “novo” escritório oferece aos colaboradores. Neste novo contexto, o espaço e a sua proposta de qualidade vão ser a chave para atrair e reter talentos, pelo que as empresas vão exigir cada vez mais nesta área.

Hoje em dia, desenvolver um escritório de elevada qualidade que atraia as empresas e satisfaça os colaboradores que lá trabalham não passa só por ter um bom imóvel, boas infra-estruturas, boas condições tecnológicas e conforto. Vai passar também por ir mais além e proporcionar valências complementares e serviços de valor acrescentado. Há aqui também boas oportunidades para os promotores se reinventarem, com oferta de serviços de conveniência ou de lazer aos ocupantes. Neste campo, além do POP, que criou uma aplicação que facilita a vida dos seus residentes (o POP Eats), há também o exemplo da Lionesa, que oferece aulas de surf às empresas que acolhe.

Por isso, termino com um call-to-action para quem é promotor ou proprietário de escritórios: a grande e única questão neste momento deve ser se o projecto é de construção nova ou de reabilitação, e de que forma se pode reinventar o produto, com serviços e valências complementares. O momento não é de congelar, pois a procura existe, vai reactivar-se e está mais exigente.

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