À primeira vista, parece apenas mais um drone naval. Mas a nova plataforma desenvolvida pela unidade de mergulho do Centro de Operações Especiais Omega, da Guarda Nacional da Ucrânia, foi concebida para desempenhar várias missões ao mesmo tempo: transportar e lançar drones FPV, apoiar operações especiais, defender a costa de ataques aéreos e, se necessário, transformar-se numa arma suicida.
De acordo com o ‘Kyiv Post’, o projeto foi desenvolvido pelos engenheiros da unidade em parceria com uma empresa civil de tecnologias de informação e representa mais um passo na rápida evolução da guerra não tripulada travada pela Ucrânia.
“O nosso barco é, por assim dizer, uma nave-mãe que transporta drones FPV, que depois seguem para destruir o inimigo”, explicou o comandante da unidade de mergulho Omega, conhecido pelo indicativo “Krava”, citado pelo Ministério do Interior ucraniano.
O objetivo é simples: aproximar os drones das posições russas antes do lançamento, aumentando significativamente o seu alcance operacional.
Uma ideia nascida em combate
O conceito surgiu durante as operações no setor de Zaporizhzhia, onde a unidade já utilizava drones FPV para atingir posições russas muito para lá da linha da frente.
Segundo “Varyag”, comandante do grupo de sistemas não tripulados da unidade, transportar os drones por via marítima permite aproximá-los do alvo antes da descolagem, aumentando o raio de ação sem necessidade de alterar os próprios aparelhos.
“Foi por isso que decidimos criar um veículo de superfície não tripulado, para que a nossa presença seja sentida ainda mais profundamente na retaguarda inimiga e os nossos drones consigam voar ainda mais longe”, explicou.
Muito mais do que um drone naval
Embora o novo sistema possa atuar como embarcação kamikaze, essa é apenas uma das suas funções.
A plataforma foi concebida para servir de base móvel de lançamento de drones FPV, apoiar operações conduzidas por mergulhadores de combate e, nas próximas versões, transportar drones intercetores destinados a destruir aparelhos russos antes de estes atingirem a costa ucraniana.
“Nós queremos proteger a costa a partir da água para impedir que o inimigo consiga aproximar-se do litoral”, afirmou Krava.
Esta integração de sistemas aéreos, marítimos e subaquáticos reflete a estratégia seguida por Kiev desde o início da guerra: multiplicar capacidades recorrendo a plataformas autónomas relativamente baratas, mas capazes de executar missões cada vez mais complexas.
A próxima geração da guerra no Mar Negro
Segundo a Guarda Nacional, as equipas de sistemas não tripulados da unidade Omega já destruíram numerosos veículos militares russos, blindados, camiões-cisterna e infraestruturas energéticas no sul da Ucrânia.
Para “Dart”, comandante-adjunto da unidade de mergulho, o futuro passa precisamente pela integração de diferentes tipos de drones num único sistema operacional.
“O nosso objetivo é que a tecnologia salve a vida dos nossos combatentes e, ao mesmo tempo, aumente a eficácia na destruição das forças ocupantes”, afirmou.
As especificações técnicas do novo barco permanecem confidenciais e o sistema ainda não recebeu uma designação oficial.
Uma tendência que está a acelerar
O novo projeto surge poucos dias depois de a Marinha ucraniana ter apresentado publicamente o sistema Barracuda, um drone naval capaz de atacar posições russas e lançar, de seguida, drones de reconhecimento e drones FPV para identificar e destruir novos alvos.
A inteligência militar ucraniana revelou igualmente que as futuras gerações de drones navais deverão ganhar capacidades muito para além do ataque direto, incluindo missões de reconhecimento, apoio à defesa aérea, escolta de embarcações e interdição marítima no Mar Negro.
À medida que a guerra evolui, os drones deixam de ser plataformas especializadas para assumirem múltiplas funções. E, no caso desta nova embarcação da unidade Omega, a Ucrânia parece estar a aproximar-se de um conceito semelhante ao de um pequeno porta-drones autónomo, capaz de projetar poder muito para lá da linha da frente.


















