A estratégia militar da Ucrânia deixou de visar apenas tropas e equipamento no campo de batalha. Nos últimos meses, Kiev tem concentrado os ataques na infraestrutura energética e logística da Rússia, procurando reduzir as receitas do petróleo e limitar a capacidade de Moscovo para financiar a guerra.
A campanha, de acordo com o ‘El Confidencial’, combina ataques de longo alcance contra refinarias, terminais petrolíferos, portos de exportação e navios da chamada “frota fantasma”, utilizada para contornar as sanções internacionais. Segundo analistas, esta estratégia está a pressionar uma das principais fontes de receita do Kremlin.
1. Refinarias sob ataque
O primeiro objetivo passa por reduzir a capacidade da Rússia para transformar petróleo bruto em combustíveis com maior valor acrescentado.
Desde o início de 2026, dezenas de refinarias russas foram atingidas por drones ucranianos, incluindo instalações estratégicas na região de Moscovo e, mais recentemente, em Omsk, na Sibéria, a cerca de 2.700 quilómetros da fronteira ucraniana.
Segundo o Oxford Institute for Energy Studies (OIES), a capacidade de refinação da Rússia caiu de cerca de 5,2 milhões para 3,8 milhões de barris por dia, o nível mais baixo em mais de duas décadas.
A redução obriga Moscovo a exportar mais petróleo bruto e menos combustíveis refinados, diminuindo as margens de lucro.
2. Exportações mais vulneráveis
Além da produção, Kiev procura dificultar a saída do petróleo russo para os mercados internacionais.
Depois de limitar a liberdade de ação da Frota do Mar Negro, a Ucrânia passou a atacar instalações portuárias em Novorossiysk, Primorsk e Ust-Luga, três dos principais pontos de exportação de crude russo.
Segundo o artigo, os ataques chegaram a reduzir temporariamente até 40% da capacidade de exportação, afetando o escoamento de cerca de um milhão de barris por dia.
3. Pressão sobre a “frota fantasma”
Outra frente da estratégia passa pelos navios utilizados pela Rússia para contornar as sanções ocidentais.
Nas últimas semanas, drones ucranianos atacaram embarcações que integrariam esta denominada “frota fantasma”, utilizada para transportar petróleo através de empresas de fachada e rotas alternativas.
Ao mesmo tempo, vários países europeus reforçaram a fiscalização destas embarcações no Mar Báltico, no Canal da Mancha e no Mediterrâneo, aumentando a pressão sobre a logística russa.
4. Escassez de combustíveis dentro da Rússia
Os efeitos começam também a sentir-se no mercado interno.
Segundo o artigo, várias regiões russas enfrentam escassez de combustíveis, obrigando Moscovo a limitar exportações e a recorrer a mecanismos de compensação para estabilizar os preços internos.
O Cazaquistão terá mesmo concordado em fornecer gasolina à Rússia durante o verão, numa tentativa de aliviar as dificuldades de abastecimento.
5. Um território cada vez mais difícil de defender
A crescente autonomia dos drones ucranianos permitiu alargar significativamente o alcance dos ataques.
Refinarias, fábricas químicas, instalações metalúrgicas, centros de produção de drones e outras infraestruturas industriais passaram a integrar a lista de alvos, obrigando Moscovo a dispersar os sistemas de defesa aérea por um território muito mais vasto.
Segundo o Institute for the Study of War (ISW), esta dispersão reduz a eficácia da defesa russa e aumenta a vulnerabilidade das infraestruturas estratégicas.
A guerra económica ganha peso
Embora o petróleo continue a representar uma das principais fontes de financiamento do Estado russo, a combinação entre sanções internacionais e ataques ucranianos está a aumentar os custos da guerra para Moscovo.
A estratégia de Kiev procura transformar a superioridade energética da Rússia numa vulnerabilidade económica, pressionando simultaneamente a produção, a exportação, a logística e o mercado interno dos combustíveis.



















