Apoiantes de Trump ‘azedam’ com custos da guerra no Irão. Só um terço da base MAGA defende conflito

O apoio dos eleitores mais fiéis de Donald Trump à continuação da guerra com o Irão está a diminuir rapidamente, numa altura em que o conflito se prolonga, os custos económicos aumentam e a aproximação das eleições intercalares intensifica a pressão política sobre a Casa Branca.

Pedro Zagacho Gonçalves

O apoio dos eleitores mais fiéis de Donald Trump à continuação da guerra com o Irão está a diminuir rapidamente, numa altura em que o conflito se prolonga, os custos económicos aumentam e a aproximação das eleições intercalares intensifica a pressão política sobre a Casa Branca. Uma nova sondagem da POLITICO, realizada em parceria com a empresa independente Public First, mostra que a paciência do eleitorado republicano começa a esgotar-se, aproximando-se da posição maioritária dos norte-americanos, que há muito manifestam oposição ao envolvimento militar dos Estados Unidos.

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Os dados revelam uma alteração significativa em apenas dois meses. Em maio, cerca de 50% dos eleitores que se identificam com o movimento MAGA consideravam que a guerra justificava os custos económicos. Agora, essa percentagem caiu para pouco mais de um terço, registando uma descida de 13 pontos percentuais. Em simultâneo, 37% dos apoiantes de Trump defendem que os Estados Unidos só devem continuar envolvidos no conflito caso isso não implique um agravamento dos custos económicos, acima dos 29% registados em maio. Além disso, quase um em cada cinco eleitores MAGA considera que Washington deve abandonar a guerra independentemente das consequências financeiras.

Segundo a análise da POLITICO, esta erosão do apoio entre os eleitores mais leais do Presidente representa um dos sinais mais claros de desgaste político provocado pelo conflito, numa altura em que a economia e o custo de vida continuam a dominar as preocupações do eleitorado norte-americano antes das eleições intercalares.

Apesar desta tendência, Donald Trump não dá sinais de pretender reduzir a intensidade da campanha militar. Após duas semanas de ataques norte-americanos contra alvos iranianos, o Presidente afirmou na terça-feira que responsáveis iranianos “querem desesperadamente reunir-se”, mas garantiu que Washington “não tem qualquer interesse sequer em conversar” enquanto Teerão não estiver preparado para negociações consideradas significativas.

Nos bastidores da administração, porém, o ambiente é descrito como bastante diferente. Uma fonte próxima da Casa Branca, citada pela POLITICO sob anonimato, afirmou que existe um elevado nível de frustração entre os principais responsáveis da administração. Segundo essa fonte, Trump terá percebido que alcançar a vitória militar que pretende exigiria uma escalada que considera politicamente impossível.

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“A Casa Branca está num nível máximo de frustração neste momento e foi-me dito por pessoas muito próximas que o Presidente percebe agora plenamente que a única forma de alcançar a vitória que pretende é politicamente impossível. O povo americano simplesmente não apoiará a escalada necessária nesta fase.”

A mesma fonte acrescentou que o conflito já provocou mais baixas militares norte-americanas e colocou a administração perante “uma situação politicamente impossível”.

A deterioração do apoio coincide com uma nova fase das hostilidades entre Washington e Teerão. Depois de Trump ter declarado, no início do mês, que um acordo de paz provisório estava terminado, os dois países retomaram ataques recíprocos. Durante o último fim de semana morreram dois militares norte-americanos na Jordânia, enquanto o preço da gasolina ultrapassou os quatro dólares por galão em várias zonas dos Estados Unidos, tornando os efeitos económicos da guerra cada vez mais visíveis para os consumidores.

Este cenário alterou profundamente a estratégia política da Casa Branca. Em vez de centrar o discurso nas medidas económicas da administração — como os cortes fiscais, os programas de poupança para recém-nascidos e a redução dos preços dos medicamentos — Trump tem sido obrigado a justificar repetidamente os custos da guerra e a defender que o impacto económico é um preço necessário para impedir o avanço do programa nuclear iraniano.

Os responsáveis da administração sustentam, contudo, que o aumento dos preços será temporário. A expectativa da Casa Branca é que os combustíveis regressem aos níveis anteriores assim que a guerra termine ou quando as capacidades militares do Irão forem suficientemente degradadas para impedir perturbações na circulação de petróleo através do Estreito de Ormuz.

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A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, rejeitou que as decisões de segurança nacional sejam condicionadas pelos resultados das sondagens.

“O mais importante para o povo americano é ter um Comandante-em-Chefe que tome medidas firmes para garantir a sua segurança, e é exatamente isso que o Presidente Trump está a fazer.”

A responsável acrescentou que o Presidente “não toma decisões de segurança nacional com base em sondagens de opinião voláteis, mas sim nos melhores interesses do povo americano”.

Os resultados mostram ainda que os eleitores republicanos menos alinhados com o movimento MAGA manifestam uma oposição ainda mais forte ao conflito. Apenas 21% consideram que a guerra justifica o aumento dos custos económicos, enquanto 28% defendem que os Estados Unidos devem abandonar completamente o envolvimento militar, independentemente das consequências financeiras.

A sondagem evidencia igualmente que mesmo muitos apoiantes de Trump atribuem ao conflito o aumento dos preços dos combustíveis. Entre os eleitores MAGA, 57% responsabilizam diretamente a guerra pelo agravamento dos preços da gasolina, percentagem que sobe para 63% entre os eleitores republicanos não identificados com o movimento MAGA.

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Entre os apoiantes mais fiéis de Trump, nenhuma outra explicação para o aumento dos preços — incluindo a procura sazonal ou restrições ambientais à produção petrolífera — ultrapassa os 25% das respostas. Já entre os eleitores que votaram na antiga vice-presidente Kamala Harris, a responsabilidade é atribuída sobretudo à gestão económica da administração Trump e às tarifas comerciais impostas pelo Presidente, apontadas por 55% e 52% dos inquiridos, respetivamente.

Os dados mostram também que os próprios eleitores de Trump estão divididos quanto ao impacto que um Presidente democrata teria tido sobre os preços dos combustíveis. Cerca de 34% acreditam que os preços teriam aumentado ainda mais sob uma administração democrata, enquanto 35% consideram que teriam subido exatamente o mesmo. Outros 20% entendem que os combustíveis aumentaram mais sob a presidência de Trump.

O crescente desgaste político preocupa estrategas republicanos envolvidos nas principais disputas eleitorais para o Congresso. Segundo a POLITICO, responsáveis ligados às campanhas para a Câmara dos Representantes e para o Senado têm alertado, nos últimos meses, para o risco de a continuação da guerra prejudicar as hipóteses do Partido Republicano manter as maiorias parlamentares.

Curt Mills, diretor executivo da revista American Conservative, considera que os resultados da sondagem mostram um afastamento crescente da opinião pública em relação ao conflito.

“Isto demonstra que, se a primeira fase da guerra já era impopular entre fevereiro e o início do verão, esta segunda ronda é ainda mais difícil de justificar. Os americanos simplesmente não percebem porque estão envolvidos nesta guerra.”

Embora reconheça a enorme influência de Trump dentro do Partido Republicano, Mills lembra que essa liderança também encontra limites perante a realidade política.

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“Sim, Trump é o líder do Partido Republicano e dispõe de grande margem junto dos seus apoiantes, mas nem os reis são imunes à realidade política.”

Questionado sobre o eventual impacto eleitoral da guerra, Donald Trump desvalorizou as preocupações.

“Isso não terá qualquer impacto sobre mim. Estou apenas aqui para fazer o que está certo. Não penso nas eleições quando tomo decisões desta natureza.”

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