Congresso do Partido Comunista Chinês este domingo deve consolidar poder de Xi Jinping

Partido Comunista da China prepara-se para renovar liderança de Xi Jinping

Executive Digest com Lusa

O 20º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), o mais importante evento da agenda política da China, arranca este domingo e deve reforçar o estatuto do secretário-geral da organização, Xi Jinping.

A reunião, que se realiza a cada cinco anos, serve sobretudo para reorganizar o Comité Central do Partido, o Politburo e o Comité Permanente do Politburo.

O PCC, que tem mais de 90 milhões de membros, está organizado numa estrutura piramidal. No topo está o Politburo, que é composto por 25 pessoas – oficiais do Exército, líderes de província e altos quadros do Partido. Dentro deste grupo está o Comité Permanente do Politburo, que é composto pelos sete membros encarregues da maioria das decisões políticas cruciais. O chefe do Comité Permanente é o secretário-geral do Partido.

De acordo com a Constituição do Partido, o Politburo é eleito nominalmente pelo Comité Central. Observadores consideram, no entanto, que, na prática, os novos membros do Politburo, incluindo do Comité Permanente, são escolhidos pelos atuais membros e membros já aposentados do órgão.

Em cada congresso, alguns membros do Politburo e do Comité Permanente do Politburo reformam-se ou são afastados. Desde há 25 anos que a norma tem sido nomear um novo secretário-geral a cada dois congressos.

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No entanto, observadores esperam que o atual líder, Xi Jinping, permaneça no poder, quebrando com a tradição política das últimas décadas. Desde que assumiu a liderança da China, em 2012, Xi tornou-se centro da política chinesa. Ele é hoje considerado um dos líderes mais fortes da História recente do país, comparável a Mao Zedong, o fundador da República Popular.

No último congresso do PCC, realizado em outubro de 2017, Xi não nomeou um sucessor óbvio e a Constituição da China foi posteriormente alterada pela Assembleia Nacional Popular, para permitir que ele cumprisse três ou mais mandatos como chefe de Estado.

O líder chinês deve também tentar colocar aliados seus em posições-chave no Politburo e inscrever o seu pensamento ideológico, designado “Pensamento de Xi Jinping”, na Constituição do PCC. Isto tornaria qualquer crítica às diretrizes de Xi um ataque direto ao Partido.

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“Ele parece estar no caminho certo para atingir a maioria desses objetivos”, apontou Christopher K. Johnson, presidente da consultora China Strategies Group e antigo analista de assuntos da China na agência de inteligência norte-americana (CIA), numa conversa com jornalistas estrangeiros colocados em Pequim.

A apresentação do relatório de trabalho, no dia de abertura do Congresso, é outro dos ‘pratos fortes’ do evento. Para além de fazer uma avaliação ao desempenho do Comité Central cessante, Xi vai estabelecer prioridades e linhas gerais para os próximos cinco anos.

Isto é importante para detetar possíveis mudanças políticas, como, por exemplo, a posição de Pequim na questão de Taiwan ou o futuro da política de ‘zero casos’ da Covid-19.

“Estas pistas, no entanto, são dadas em traços gerais. Tem sido esse o padrão”, frisou Johnson, que, durante a sua carreira, acompanhou sete congressos do Partido Comunista, ao longo de 30 anos.

Xi parece chegar ao 20º Congresso numa posição de força.

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A vasta campanha anticorrupção lançada pelo líder chinês resultou na condenação à prisão perpétua ou à pena de morte de centenas de quadros e funcionários do Partido Comunista. Além de combater a corrupção, a campanha tem tido como propósito afastar rivais políticos, com as acusações a altos quadros do regime a incluírem frequentemente “excesso de ambição política” ou “conspiração”.

A campanha intensificou-se este ano. Cerca de 1.100 funcionários foram punidos, desde janeiro, segundo dados do PCC. Entre eles estão o ex-vice-ministro da Segurança Pública Sun Lijun e o ex-ministro da Justiça Fu Zhenghua, que foram condenados à pena de morte com suspensão de dois anos, no mês passado.

“Xi vai continuar a ser a única voz significativamente responsável pela direção política geral”, apontou Johnson.

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