O Imovirtual divulgou o Barómetro Geral de fevereiro de 2026, que analisa a evolução dos preços médios anunciados de arrendamento e venda em Portugal, incluindo as regiões autónomas, comparando os dados com janeiro deste ano e com fevereiro de 2025. Os números revelam um mercado a dois ritmos: rendas estabilizadas em máximos históricos e preços de venda a manterem uma trajetória de valorização consistente.
No arrendamento, a renda média nacional fixou-se nos 1.500 euros em fevereiro de 2026, mantendo-se inalterada face a janeiro, mas registando um aumento homólogo de 20% em comparação com os 1.250 euros praticados em fevereiro de 2025. Apesar da estabilidade mensal, os valores permanecem em níveis historicamente elevados, refletindo a pressão acumulada ao longo do último ano.
Na região Norte, a renda média recuou para 800 euros, uma descida mensal de 5,9%, ainda assim 6,7% acima do valor homólogo. O Porto manteve-se nos 1.200 euros, estável no mês e com uma subida anual de 4,3%. Braga fixou-se nos 945 euros, com ligeira descida mensal de 0,5%, mas valorização anual de 5%. Viana do Castelo desceu para 800 euros, mantendo crescimento homólogo de 6,7%, enquanto Aveiro registou 900 euros, menos 2,4% no mês e estabilidade face a 2025. Vila Real manteve os 600 euros, destacando-se pelo aumento anual de 20%, um dos mais expressivos da região. Bragança permaneceu nos 550 euros, estável face ao ano anterior, e Viseu nos 700 euros, sem variações mensais ou anuais.
No Centro, a renda média regional caiu para 800 euros, menos 3% face a janeiro, mas ainda 3,2% acima do valor homólogo. Lisboa continua a ser o distrito mais caro para arrendar, com 1.800 euros, estável no mês e mais 5,9% em termos anuais. Leiria atingiu os 900 euros, com subida anual de 12,5%, e Coimbra manteve-se nos 800 euros, mais 6,7% do que em 2025. Santarém recuou para 800 euros, menos 5,9% no mês, mantendo estabilidade anual. A Guarda registou 525 euros, descendo 8,7% face a janeiro, mas ainda 5% acima do valor homólogo. Castelo Branco apresentou uma das maiores correções mensais, fixando-se nos 568 euros, menos 11%, e ligeira variação anual negativa de 1,3%.
No Sul, a renda média regional fixou-se nos 1.150 euros, menos 4,2% no mês, mas com valorização anual de 16,2%. Faro recuou para 1.300 euros, menos 3,7% face a janeiro, mantendo subida anual de 8,3%. Setúbal manteve-se nos 1.250 euros, estável no mês e mais 4,2% em termos homólogos. Évora fixou-se nos 1.150 euros, menos 4,2%, mas com forte valorização anual de 16,2%. Portalegre desceu para 565 euros, menos 5,8% no mês e mais 13% face a 2025. Beja registou 700 euros, menos 6,7% face a janeiro e uma descida anual de 12,5%.
Mercado de venda regista aumento para os 443.200 euros
No mercado de venda, o preço médio nacional atingiu os 443.200 euros em fevereiro de 2026, refletindo uma subida mensal de 1,9% face aos 435.000 euros de janeiro e uma valorização anual de 12% face aos 395.900 euros de fevereiro de 2025. A trajetória confirma a continuidade da valorização no mercado residencial.
No Norte, o preço médio regional manteve-se nos 300.000 euros, com crescimento anual de 9,1%. O Porto recuou para 409.900 euros, menos 2,4% no mês, mas ainda 5,9% acima do valor homólogo. Braga fixou-se nos 369.900 euros, menos 1,4% face a janeiro e mais 12,1% em termos anuais. Aveiro manteve os 375.000 euros, com valorização anual de 9,5%. Viseu atingiu 232.800 euros, ligeiramente acima do mês anterior, e destacou-se pela subida anual de 19,4%. Vila Real recuou para 185.000 euros, menos 2,1% no mês, mas mais 8,2% face a 2025. Viana do Castelo permaneceu nos 300.000 euros, com crescimento anual de 9,1%, e Bragança fixou-se nos 120.000 euros, mais 4,3% do que no ano anterior.
No Centro, o preço médio situou-se nos 279.500 euros, menos 1,4% no mês, mas com crescimento anual expressivo de 22,9%. Castelo Branco destacou-se pela subida mensal de 11,2%, atingindo os 109.000 euros, com valorização anual de 25,3%. Coimbra fixou-se nos 289.000 euros, praticamente estável no mês e mais 23% face a 2025. Leiria recuou para 338.000 euros, menos 3,4%, mas com crescimento anual de 20,7%. Santarém registou 270.000 euros, menos 2,5% no mês e mais 22,7% em termos homólogos. Lisboa situou-se nos 641.000 euros, menos 1,4% face a janeiro e mais 6,8% face ao ano anterior. A Guarda desceu para 100.000 euros, menos 6,1% no mês, mas ainda 2,6% acima do valor homólogo.
No Sul, o preço médio regional subiu para 275.000 euros, mais 1,9% face a janeiro e mais 10% em termos anuais. Faro manteve-se como o distrito mais caro da região, fixando-se nos 585.500 euros, ligeiramente abaixo do mês anterior, mas com valorização anual de 18,3%. Setúbal registou 470.000 euros, menos 4,1% no mês e mais 5,6% face a 2025. Évora fixou-se nos 275.000 euros, com subida mensal de 1,9% e valorização anual de 10%. Beja registou 195.000 euros, menos 2,4% face a janeiro e mais 14,7% em termos homólogos. Portalegre situou-se nos 132.900 euros, menos 4% no mês e mais 10,8% face ao ano anterior.
Fevereiro confirma assim um mercado imobiliário a dois ritmos. O arrendamento apresenta sinais de estabilização mensal, mas permanece em patamares historicamente elevados, mantendo pressão significativa sobre as famílias. Em paralelo, o mercado de compra continua a registar valorização consistente, apesar de ajustamentos pontuais em alguns distritos, refletindo uma procura resiliente e uma oferta estruturalmente limitada.
“A estabilização das rendas não deve ser confundida com um alívio no mercado pois os valores continuam altos para os padrões médios dos portugueses. Ao mesmo tempo, o mercado de venda continua a valorizar, o que demonstra que a procura se mantém resiliente e que a pressão estrutural sobre a habitação ainda não diminuiu”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
O mês de fevereiro consolida, assim, um cenário de valorização sustentada na compra e de estabilização em níveis elevados no arrendamento, num contexto em que as diferenças territoriais continuam a marcar de forma significativa a dinâmica do mercado imobiliário em Portugal.





