CMVM estima aplicar perto de seis milhões em coimas este ano

Presidente da instituição partilhou projeção no parlamento.

Executive Digest com Lusa

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estima aplicar este ano coimas de seis milhões de euros, “um aumento relevante” face a 2019, de acordo com uma intervenção da presidente da entidade, hoje, no parlamento.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Nesta intervenção, apresentada numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças, Gabriela Figueiredo Dias referiu-se à “atividade sancionatória” do regulador, recordando que foi “muito afetada nos últimos anos pelo peso dos casos complexos da anterior crise — ‘PT’, ‘BES/KPMG’ ou Banif — que estão já concluídos ou para os quais se antecipa a conclusão em 2021”.

A presidente da CMVM apontou “uma nova redução de processos de contraordenação pendentes face a 2019 — que tinha já sido o ano com menos processos pendentes desde 2009; e um aumento relevante das coimas aplicadas, que este ano se aproximarão dos seis milhões de euros”.

No seu relatório anual de 2019, divulgado em junho deste ano, a CMVM indica que o ano passado proferiu decisões finais em 104 processos, entre as quais 76 decisões condenatórias, sendo que em 26 decisões foi decidida a aplicação de multas, as quais totalizaram 1,88 milhões de euros.

Em 2018, a CMVM tinha aplicado 2,17 milhões de euros em coimas no âmbito de 63 processos sancionatórios.

Continue a ler após a publicidade

Na mesma intervenção, Gabriela Figueiredo Dias fez um balanço do comportamento do mercado português, referindo que em novembro, “o PSI 20 acompanhou a tendência internacional e valorizou significativamente (+16,7%) em virtude do otimismo gerado pela expectativa de disponibilização das vacinas contra a covid-19. Contudo, face ao final de 2019 apresenta ainda uma desvalorização de 11,7%, refletindo as quedas em fevereiro e março”.

Por sua vez, o setor da gestão de ativos “que, recorde-se, conta com a participação de mais de um milhão de aforradores em Portugal, apresentou um comportamento resiliente e revelou uma boa capacidade de recuperação desde o verão, a qual se mantém mesmo no contexto de uma segunda vaga da pandemia”, sendo que o “valor sob gestão dos fundos de investimento mobiliário encontra-se já acima do valor registado em fevereiro”, indicou.

A presidente da CMVM identificou ainda as principais ameaças para o sistema financeiro e os investidores, destacando “a vulnerabilidade das empresas e famílias após a forte recessão deste ano e a tímida recuperação que se antecipa”, bem como “o aumento de endividamento e possível degradação da qualidade creditícia dos emitentes nacionais e internacionais”.

Para Gabriela Figueiredo Dias é também preocupante a “redução da transparência quanto ao conhecimento da real e completa situação financeira das empresas, bem como a oferta de alternativas de investimento inovadoras, mas nem sempre seguras, nomeadamente por meios digitais” e “a ainda insuficiente disponibilidade de alternativas de investimento diversificadas e seguras” e “a retração dos investidores face ao investimento e a canalização sistemática da poupança para depósitos bancários”, que oferecem menos risco, mas têm um retorno “praticamente nulo”.

A presidente da CMVM acredita que Portugal está mais bem preparado para lidar com esta crise, tendo em conta várias reformas regulatórias e o reforço da supervisão.

Continue a ler após a publicidade

Gabriela Figueiredo Dias assegurou que o regulador melhorou a sua ‘performance’, com “menos de 30 dias de resposta em 2020 contra mais de 80 dias em 2018”, bem como a “antecipação em cerca de 40% dos prazos previstos legalmente para autorizações e registos na CMVM, ou reduções da mesma magnitude face a 2018 na aprovação de prospetos”.

“Portugal precisa, com urgência, de um plano transversal de dinamização do mercado de capitais, promovido pelo Governo, envolvendo todos os ‘stakeholders’, e que possa oferecer já em 2021 mais e melhores alternativas às empresas e famílias. A ‘Task Force’ recentemente criada pelo Governo para dar sequência às recomendações da OCDE nesta matéria poderá ser, sem dúvida, um embrião deste plano. Mas precisamos de mais, e de todos”, apelou.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.