Cientistas detetam microplásticos em tecidos humanos

Cientistas norte-americanos detetaram microplásticos e nanoplásticos em órgãos e tecidos humanos e consideram a descoberta preocupante, ainda que falte informação sobre os efeitos na saúde.

Executive Digest com Lusa

Cientistas norte-americanos detetaram microplásticos e nanoplásticos em órgãos e tecidos humanos e consideram a descoberta preocupante, ainda que falte informação sobre os efeitos na saúde.

“Nunca queremos ser alarmistas, mas é preocupante que estes materiais não biodegradáveis, que estão presentes em todo o lado, possam entrar e acumular-se em tecidos humanos, e não conhecemos os possíveis efeitos na saúde”, afirmou Varun Kelkar, um dos autores da investigação.

Os resultados do trabalho são hoje apresentados numa reunião da “American Chemical Society” (ACS – Sociedade norte-americana de Química), na qual são apresentados até quinta-feira mais de 600 investigações científicas.

A ACS lembra, num documento sobre a investigação, que a ingestão de partículas de plástico por animais e seres humanos tem consequências ainda desconhecidas para a saúde.

“Pode encontrar-se plástico a contaminar o ambiente em praticamente todos os locais do globo, e em poucas décadas deixámos de ver o plástico como algo muito benéfico para o considerarmos uma ameaça”, diz Charles Rolsky, que com Varun Kelkar vai apresentar a investigação na reunião da ACS.

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“Há provas de que o plástico está a entrar no nosso corpo, mas muito poucos estudos o procuram lá. E neste momento não sabemos se este plástico é apenas um incómodo ou se representa um perigo para a saúde humana”, adiantou o investigador.

Os cientistas definem microplástico como um fragmento de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro. Os nanoplásticos são ainda mais pequenos, com diâmetros inferiores a 0,001 milímetros.

Investigações em animais têm ligado a exposição a microplásticos e nanoplásticos a infertilidade, inflamações e cancro, mas os resultados para a saúde das pessoas ainda são desconhecidos.

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Estudos já mostraram que os plásticos podem passar através do trato intestinal dos humanos, mas os dois investigadores, da Universidade do Arizona, quiseram saber se há partículas a acumularem-se nos órgãos humanos, tendo para isso obtido 47 amostras de tecidos corporais, colhidas nomeadamente de pulmões, fígado, baço e rins.

O método que os investigadores usaram permite detetar dezenas de tipos de componentes de plástico dentro dos tecidos humanos, incluindo policarbonatos, tereftalato de polietileno e polietileno. O bisfenol A, utilizado ainda em recipientes para alimentos, apesar das preocupações com a saúde, foi encontrado em todas as 47 amostras.

Os investigadores acreditam que o estudo é o primeiro a examinar a existência de partículas de plástico em órgãos humanos, de pessoas com um historial conhecido de exposição ambiental.

Os doadores de tecidos forneceram informações detalhadas sobre o seu estilo de vida, dieta e exposições ocupacionais, o que pode ajudar a encontrar potenciais fontes e vias de exposição a micro e nanoplásticos, dizem os cientistas.

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