China alerta: Bunkers atómicos não protegem contra novas armas nucleares

Pelo contrário, estas estruturas subterrâneas podem ser uma armadilha mortal para quem nelas se refugia, enquanto a população da superfície pode sobreviver.

Simone Silva

Os bunkers atómicos são inúteis, perante as bombas nucleares táticas chinesas, russas ou americanas, como as que a Rússia ameaçou usar na Ucrânia. Pelo contrário, estas estruturas subterrâneas podem ser uma armadilha mortal para quem nelas se refugia, enquanto a população da superfície pode sobreviver.

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Segundo o ‘South China Morning Post’, estes são os resultados de novos estudos realizados por cientistas chineses, que construíram um novo laboratório de pesquisa para simular ataques nucleares contra bunkers atómicos como os da Estação da Força Espacial Cheyenne Mountain, o famoso complexo subterrâneo localizado sob 610 metros de granito, popularizado por o filme Jogos de Guerra nos anos 80.

Certo é que, com bunker ou não, uma guerra nuclear global condenaria a espécie humana à extinção. Armas nucleares táticas – e especificamente aquelas projetadas para penetrar na terra – são projetadas para uso localizado, destruindo alvos específicos sem causar o mesmo grau de contaminação radioativa e efeitos colaterais que uma ogiva nuclear normal.

Estes últimos são projetados para explodir na atmosfera vários metros abaixo da superfície, causando o máximo de dano possível na maior área possível. Os primeiros são aqueles que a Rússia ameaça lançar se a OTAN intervir diretamente na Ucrânia.

O novo estudo – revisto por pares no Chinese Scientific Journal of Rock Mechanics and Engineering – confirma uma pesquisa anterior que usou simulações de supercomputadores, para concluir que os bunkers atómicos não oferecem proteção e, de facto, a sua localização torna-os mais vulneráveis ​​graças à natureza do subsolo.

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De acordo com o jornal, o estudo mostra que um bunker a dois quilómetros de profundidade pode ser facilmente destruído pela penetração de armas nucleares. A chave está na forma como as ondas de choque são transmitidas através da crosta terrestre.

Embora as ogivas nucleares táticas projetadas para penetrar no solo não possam ir mais fundo do que 40 metros, a explosão nuclear iniciaria uma reação “que libertaria até mil vezes mais energia do que a produzida pela própria explosão atómica”, escrevem os autores.

As suas observações, acrescentam, mostram que as ondas de choque mudam de forma e aumentam de potência à medida que viajam pelo subsolo. Isto vai contra a teoria atual, que diz que a energia das ondas de choque é absorvida pelo solo à medida que viajam.

Esse conceito baseia-se na ideia de que a crosta se comporta mais ou menos como um líquido que absorve energia, mas, na realidade, a diferença entre os tipos de rochas e outros materiais do subsolo funciona como um amplificador do poder destrutivo da explosão, revela o estudo, que mostra que a energia destrutiva chegaria “mais longe”, afetando bunkers distantes do raio direto de ação da explosão nuclear.

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