Caça da NATO abate drone que entrou no espaço aéreo da Estónia

Um caça da NATO destacado para a missão de policiamento aéreo no Báltico abateu esta terça-feira um drone que entrou no espaço aéreo da Estónia.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um caça da NATO destacado para a missão de policiamento aéreo no Báltico abateu esta terça-feira um drone que entrou no espaço aéreo da Estónia, num incidente que volta a aumentar a tensão na região em plena guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

O aparelho foi destruído sobre o lago Vörtsjärv, no sul da Estónia. O ministro da Defesa estónio, Hanno Pevkur, confirmou o incidente ao portal estónio Delfi e à emissora pública ERR, explicando que o drone seria “muito provavelmente” um aparelho ucraniano destinado a atingir alvos no noroeste da Rússia, zona onde foram reportados ataques durante a manhã.

Segundo o governante, o drone terá sofrido interferências eletrónicas nos sistemas de navegação, acabando por desviar-se da rota inicial e entrar inadvertidamente no espaço aéreo estónio. Mais tarde, em declarações divulgadas pela Reuters, Pevkur confirmou que o aparelho foi abatido por um caça romeno integrado na missão aérea da NATO destacada para a região báltica.

O ministro sublinhou que o drone “não estava direcionado à Estónia” e revelou ter contactado imediatamente o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, para reforçar que Tallinn não autorizou qualquer utilização do seu espaço aéreo para operações militares.

Também o presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros da Estónia, Marko Mihkelson, corroborou a hipótese de o aparelho ser um drone ucraniano desviado após falhas nos sistemas de orientação.

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O primeiro-ministro estónio, Kristen Michal, confirmou igualmente o incidente perante o parlamento do país e considerou que o abate demonstrou capacidade de resposta das forças de defesa. “Acho que ainda conseguimos lidar com estas situações”, afirmou, segundo os meios de comunicação locais.

As autoridades garantiram que não houve vítimas civis nem danos materiais. Após o incidente, tanto a Estónia como a Letónia emitiram alertas relacionados com drones em várias zonas do território. Na Letónia, os avisos voltaram a ser reforçados horas mais tarde, com relatos de perturbações em exames linguísticos e circulação ferroviária devido às medidas de segurança adotadas.

O caso surge numa altura em que vários membros bálticos e nórdicos da NATO têm registado incursões de drones desde o agravamento da guerra na Ucrânia. A crescente preocupação com estes episódios já provocou consequências políticas na região, depois de o Governo letão ter colapsado na semana passada devido à polémica em torno da resposta oficial a anteriores incursões aéreas.

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Entretanto, as autoridades estónias continuam a procurar os destroços do drone abatido para garantir que o aparelho não representa qualquer perigo adicional. Pevkur alertou ainda para a possibilidade de Moscovo utilizar o incidente em campanhas de propaganda destinadas a acusar os países bálticos de envolvimento direto em ataques ucranianos contra território russo.

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