Vários bancos centrais pela Europa e Estados Unidos têm promovido uma onda de renovações das suas sedes nos últimos anos, com muitos dos projetos a enfrentarem problemas e polémicas, nomeadamente dada a subida dos custos face ao estimado.
Em Portugal, a decisão de um novo edifício para o Banco de Portugal por Mário Centeno provocou polémica, não só por ter ocorrido perto do fim do mandato do então governador, mas também devido a dúvidas sobre possíveis custos.
Em maio de 2025, o BdP anunciou que assinou um contrato com a Fidelidade para adquirir um edifício em Lisboa (na antiga Feira Popular, em Entrecampos) para futuras instalações da instituição, por 192 milhões de euros, mas uma notícia do Observador de que o valor seria superior deu origem a uma polémica política e o Governo disse que ia pedir uma auditoria.
Este ano, o sucessor Álvaro Santos Pereira decidiu mudar o projeto, passando de dois edifícios para um, alteração que custará menos 35 milhões a 40 milhões de euros em relação à solução anterior, tendo acordado a aquisição por 165 milhões, disse numa audição.
Já nos EUA, a renovação da sede decidida por Jerome Powell foi alvo de críticas pelo Presidente Donald Trump e acabou por levar a uma investigação, que o então governador disse ter sido uma pressão institucional e retaliação.
A investigação concentrou-se na reforma de um edifício, estimada em 2,5 mil milhões de dólares (cera de 2,14 mil milhões de euros). Trump visitou o prédio e, perante jornalistas, apresentou a Powell uma estimativa de custos inflacionada, valor que o responsável refutou e corrigiu.
A investigação, após várias do Departamento de Justiça contra adversários de Trump, esteve com o inquérito sem avançar durante meses, porque os promotores tinham dificuldade em fundamentar suspeitas de conduta criminosa.
Um promotor responsável pelo caso Powell admitiu, numa audiência à porta fechada, que o Governo não tinha encontrado nenhuma evidência de crime e posteriormente, um juiz anulou as intimações emitidas contra a Fed.
Na Alemanha, o projeto de renovação da sede também levantou problemas e acabou por cair. O edifício que serviu como sede do Bundesbank tornar-se-á a nova sede da Escola Europeia de Frankfurt, frequentada principalmente por filhos de funcionários do Banco Central Europeu.
Na semana passada, o Bundesbank anunciou que procura um novo edifício para a sua sede em Frankfurt, tendo avançado com um concurso público europeu.
A sede do Bundesbank, que abriga mais da metade das reservas de ouro da Alemanha, é um edifício de estilo brutalista construído entre 1967 e 1972. O prédio, símbolo da cultura de estabilidade, foi tombado como monumento histórico em maio de 2022.
Na Hungria, em 2025, o banco central apresentou queixa à polícia sobre as renovações da sede, alegando suspeita de fraude, negligência e outras irregularidades que a instituição diz que causaram prejuízos financeiros.
Em março de 2025, o Gabinete de Auditoria do Estado da Hungria publicou um relatório sobre os investimentos imobiliários do banco central, avaliados em centenas de milhões de dólares, sob a gestão do então governador Gyorgy Matolcsy. Na ocasião, o Gabinete considerou que esses investimentos careciam de controlo e supervisão adequados.
O governador Mihaly Varga apresentou o relatório do Serviço de Auditoria Externa, com base nas conclusões de uma investigação independente pedida pelo conselho de supervisão do banco, que concluiu que o orçamento quase duplicou, enquanto o número de funcionários que o prédio podia acomodar caiu para metade.
Os custos do projeto subiram, assim, para 81 mil milhões de forintes húngaros (cerca de 222 milhões de euros).
Já, nos Países Baixos a renovação da sede do banco central holandês ocorreu sem problemas, por cerca de 320 milhões de euros e em cinco anos. O De Nederlandsche Bank reabriu a sede na Frederiksplein, em Amesterdão, em 06 de janeiro de 2025, com espaço para cerca de 2.500 colaboradores.













