O Banco Alimentar Contra a Fome registou, desde o inicio da pandemia em Portugal (Março) e até ao dia de ontem, 2.514 pedidos de ajuda, 971 dos quais já tinham sido encaminhados para uma resposta social, de acordo com a presidente da instituição, Isabel Jonet, que verifica uma diferença substancial relativamente aos números normalmente registados, fora da pandemia, que não costumavam ultrapassar os 20 pedidos por mês.
A responsável admite à Executive Digest que assim que a pandemia começou a invadir Portugal, «o número de pedidos disparou e muito: multiplicam-se os pedidos de pessoas que, de repente, deixaram de ter muitos dos apoios sociais que recebiam, mas também porque se viram confrontadas com uma situação de desemprego ou redução salarial», refere.
«Várias IPSS encerraram algumas das respostas sociais de apoio disponibilizadas – como creches, infantários, ATL, centros de dia e de convívio e distribuição de cabazes de alimentos; por outro lado, existe uma redução dos técnicos e auxiliares que colaboram nestas Instituições, na sua grande maioria mulheres, que, pelo encerramento das escolas e equipamentos escolares, se vêm obrigados a ficar em casa em assistência à família impossibilitando assim a prestação de alguns dos apoios sociais. E para além disso existe muita ansiedade relativamente ao futuro e à incerteza da situação laboral», afirma a responsável.
Isabel Jonet refere que «foi necessário reestruturar toda a rede de apoios sociais contando com as Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, pois em muitos casos os voluntários que entregam o apoio alimentar e fazem companhia a muitas famílias carenciadas, nomeadamente chegando à ‘pobreza envergonhada’, têm idades avançadas e para se resguardarem dos contágios, optaram por suspender a actividade, a conselho da família e das entidades públicas», afirma.
Lisboa, Porto e Setúbal são as cidades mais carenciadas
Lisboa, Porto e Setúbal são as cidades portuguesas mais carenciadas, segundo a responsável, que revela que «nestas localidades há muitas pessoas que trabalham em cabeleireiros, manicuras, empregadas domesticas, pequenos comerciantes… e estas pessoas ficaram desprotegidas, pois dependem exclusivamente do rendimento que auferem e por vezes não têm qualquer contrato de trabalho, sendo prestadores de serviços, ou integrando uma economia dita ‘informal’».
Por outro lado, o número de voluntários nesta altura de pandemia também registou «uma adesão muito boa de pessoas que querem colaborar». Encontram-se actualmente inscritos na Rede de Emergência Alimentar 485 pessoas, que segundo Isabel Jonet «têm sido essenciais para preparar os cabazes, realizar o trabalho de armazém e os transportes». Contudo, devido às restrições de circulação e ao plano de contingência adoptado, «não podemos acolher todas as boas vontades».
Também os donativos têm chegado em força, um factor essencial para ajudar a desenvolver o trabalho do Banco Alimentar. «Temos tido muitas pessoas e empresas a querer apoiar, seja com alimentos, seja com donativos, seja com voluntariado. Há Chefes de cozinha a fornecer refeições confeccionadas, empresas a doar produtos alimentares», revela a responsável.
Quer ajudar? Saiba como
A instituição abriu as doações online através de um site para o efeito, disponível a todos os que queiram ajudar. Para além disso, foi também criada a Rede de Emergência Alimentar, mencionada em cima, «uma resposta limitada no tempo até estar ultrapassada a situação de emergência que o país vive», que visa levar alimento a quem dele carece e assim apoiar quem tem baixos recursos económicos e não tenha capacidade de suportar o custo de alimentação que habitualmente é entregue pelas respostas sociais, segundo Isabel Jonet.
Foi estruturada a partir do Banco Alimentar em parceria com a ENTRAJUDA e a Bolsa do Voluntariado e está assente nas Instituições de Solidariedade Social, nas Juntas de Freguesia e outras entidades que prestam apoio. «A ideia é congregar as respostas sociais que existem, potenciar sinergias, e criar uma rede nacional assegurando que todas as freguesias de Portugal possuem um ponto onde podem ir buscar o alimento de que carecem», refere a presidente do Banco Alimentar, adiantando que «para além deste, outros produtos poderão ser entregues de forma transparente e indo ao encontro das necessidades reais, sempre através das organizações locais que com proximidade vão fornecer ajuda».
Isabel Jonet explica que começou por ser feito «um levantamento de todas as respostas sociais que estão abertas e agora através de uma plataforma informática estamos a encaminhar os pedidos de apoio para as respostas abertas perto de sua casa». A responsável sublinha que a tecnologia tem ajudado muito no processo, assim como a colaboração de dois voluntários, recém mestrados de gestão, que ajudaram a implementar a solução. «A base são formulários disponíveis no site com informação que permite rapidamente levar ajuda», explica.














