Um avião da Royal Air Force que transportava o ministro da Defesa britânico, John Healey, sofreu interferência de sinal enquanto sobrevoava uma zona próxima da fronteira russa, avança o ‘POLITICO’. O governante regressava de uma visita à Estónia, onde esteve com forças britânicas envolvidas num exercício militar da NATO perto da Rússia.
O incidente ocorreu na passada quinta-feira, durante o voo de regresso. Uma fonte do Ministério da Defesa britânico, citada sob anonimato por se tratar de uma matéria sensível, classificou o episódio como uma “interferência russa imprudente”, acrescentando que a RAF está preparada para lidar com este tipo de atividade.
Ainda não é claro se o ministro da Defesa britânico terá sido diretamente visado. O caso foi inicialmente noticiado pelo ‘The Times’, que indicou que a rota do avião estava visível em plataformas de acompanhamento de voos. Segundo o ‘Financial Times’, depois da interferência, a aeronave terá passado cerca de três horas sem acesso a GPS ou internet.
O episódio soma-se a outros casos recentes de perturbação de comunicações e navegação em aeronaves ocidentais atribuídos à Rússia. No ano passado, um avião que transportava Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, terá sido afetado por interferência de GPS, embora tenham surgido versões contraditórias sobre o que aconteceu.
A região oriental do mar Báltico também tem registado perturbações de GPS associadas à Rússia. A Ucrânia afirmou que operações de interferência conduzidas pelo Kremlin terão levado alguns dos seus drones a entrar no espaço aéreo da União Europeia.
O caso ocorre numa fase de tensão acrescida entre Moscovo e os países da NATO. Na semana passada, dois caças russos intercetaram um avião espião britânico sobre o mar Negro. Na altura, John Healey descreveu o episódio como “mais um exemplo de comportamento perigoso e inaceitável por parte dos pilotos russos”.
O ministro britânico garantiu ainda que a interceção russa “não irá dissuadir o compromisso do Reino Unido de defender a NATO, os nossos aliados e os nossos interesses da agressão russa”.
A repetição destes episódios aumenta a preocupação entre aliados ocidentais com a chamada guerra eletrónica russa, que inclui interferências em sinais de GPS, comunicações e sistemas de navegação. Embora nem sempre seja possível provar de imediato a origem exata das perturbações, os incidentes têm sido tratados como parte do clima de pressão militar e tecnológica em torno das fronteiras orientais da NATO.














