Aumento do salário mínimo. Patrões ameaçam com “greve aos impostos”

“Os patrões têm de fazer uma greve aos impostos. Vamos começar a pensar nisso”. diz o presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção e dono da Calvelex, uma empresa com 700 trabalhadores.

Executive Digest

“Os patrões têm de fazer uma greve aos impostos. Vamos começar a pensar nisso”. diz ao Expresso, César Araújo, presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção e dono da Calvelex, uma empresa com 700 trabalhadores.

O empresário e dirigente associativo afirma que o aumento do salário mínimo, decidido esta quinta-feira, representa “uma batotice que só favorece o Governo”. “Porque em vez de aumentar o rendimento efetivo dos trabalhadores, o Governo optou por uma medida em que acaba por aparecer como o principal beneficiário. Na prática, quem lucra verdadeiramente é o Estado”, salienta.

“O impacto da medida será grande em todo o sector e em toda a economia nacional”, garante. “Se o salário mínimo sobe 35 euros por mês, cada empresa passa a gastar mais 490 euros por ano por cada trabalhador com salário mínimo”, sublinha.

“E se o salário mínimo se traduz num ganho mensal liquido de 31 euros por trabalhador (sobre o salário bruto de 635 euros brutos é preciso descontar 11% para a segurança social, o que significa que os trabalhadores recebem 565,15 euros líquidos), o Estado, no final, vai arrecadar mais de 120 milhões”, diz o presidente da ANIVEC com base na estimativa oficial de que há mais de 700 mil trabalhadores a ganhar o salário mínimo.

Para o presidente da ANIVEC, a subida dos salários mínimos vai ter reflexos em todas as categorias profissionais e nas horas extraordinárias. E é por tudo isso que a chamada de atenção dos patrões poderá passar, agora, por uma greve aos impostos, “considerando a carga fiscal brutal que têm em cima da mesa de trabalho” e que o Governo “acabou por decidir tudo isto por decreto”.

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Na restauração, “o cliente vai ter de pagar mais”, avisa o sector

Os empresários do setor ainda estão a fazer contas, “mas se as despesas com o pessoal aumentam, é óbvio que os preços terão de subir”, afirma ao Expresso, Nuno Rocha, empresário e dirigente da APHORT – Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo. Se os aumentos vão ser imediatos? “Não, ainda temos alguma margem, mas no final o cliente vai ter de pagar mais. É o caminho natural. É inevitável, ainda para mais quando dizem que temos pela frente um quadro de aumentos do salário mínimo até aos 750 euros no prazo de quatro anos, correspondente ao final da legislatura”, refere.

“Não há margens que aguentem isso”, garante o empresário e dirigente da APHORT, sublinhando que a única alternativa passa pela redução da carga fiscal (IVA, IRS, IRC), contribuições sociais e “as 60 taxas e taxinhas que temos de pagar para ter a porta aberta”.

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